Elio Migliorança

AFRONTA AO BOM SENSO

Periodicamente somos submetidos a um processo de “tortura mental”, ao tentarmos entender certas atitudes dos nossos governantes e dos nossos representantes, que, na verdade, mais se representam a si mesmos, caso do Congresso Nacional, que é sempre generoso em beneficiar-se com mordomias usando o dinheiro que suamos para ganhar, do qual boa parte é consumido com impostos. O mais recente caso é o projeto de lei que pune o motorista flagrado ao dirigir, com qualquer quantidade de álcool no sangue. É uma besteira se considerarmos que a lei em vigor, aprovada pelo mesmo Congresso Nacional, pune o motorista quando a concentração de álcool for igual ou superior a 6 decigramas por litro de sangue. Isto só pode ser comprovado com o teste do bafômetro. E aí entra a parte estúpida da lei. O infrator tem o direito de recusar-se a fazer o teste, artifício utilizado não só por motoristas bêbados, mas por muitas autoridades e inclusive alguns senadores. Ao invés de fazer outra lei, basta modificar aquele artigo e obrigar a todos, inclusive as autoridades, a submeterem-se ao teste e fazer cumprir a lei. O que temos visto, ao invés disso, é muito “bandido do trânsito” matando inocentes e sendo acobertado porque é sobrinho do “fulano” ou amigo do “ciclano”, cujo pai ocupa um cargo no governo ou tem muito dinheiro. E é nesta muralha dos apadrinhados que esbarram todas as leis, onde elas se tornam flexíveis para alguns e inclementes para outros, os inocentes continuam morrendo e as famílias atingidas vão continuar clamando por justiça, uma justiça que às vezes tarda e quando tarda já falhou.

E por falar em justiça, foi um choque para todos os brasileiros quando em 17 de outubro teve início o julgamento de três médicos de Taubaté (SP), acusados de matar quatro pacientes para transplante de rim. Eles teriam provocado a morte dos pacientes para extrair os rins das vítimas e transplantar em outros pacientes. Pasmem, em setembro de 1986, portanto, há 25 anos. E sabem por que eram só três os médicos em julgamento? Porque um dos acusados já tinha falecido. Deste jeito, muitos criminosos do trânsito sabem que dificilmente pagarão pelo que fizeram, beneficiados pela demora e pelos infinitos recursos que a legislação prevê no processo judicial. Do jeito que está sendo proposta a “nova lei seca”, se você visitar um amigo e no almoço tomar um inocente copo de vinho, que não afetará em nadas seus reflexos mentais, pode ser preso a caminho de casa se for submetido ao bafômetro. E o pior de tudo é que os “protegidos”, aí incluídos riquinhos, políticos, seus sobrinhos e afilhados e outros cretinos e idiotas bêbados, continuarão aprontando e escapando da lei pelas generosas frestas que normalmente são abertas nestes casos, frestas onde pode passar até um elefante.

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Se aplicássemos as leis que temos com seriedade, o problema estaria resolvido e não precisaríamos ficar inventando formas de “jogar para a torcida”, dando a impressão de esforço na solução de um grave problema que só não é resolvido porque temos uma cultura da impunidade que sempre acaba ferindo de morte os mortais comuns que moram no andar térreo deste prédio chamado Brasil.

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