Arno Kunzler

Agora a vacina…

Não basta criar dificuldades por causa da Covid-19, a briga precisa continuar…

Autoridades exporem publicamente esse tipo de briguinha por causa da vacina parece o topo da insensatez.

Casa do Eletricista – NÃO PAGUE AR

Colocar egos acima da mais premente necessidade da saúde pública é zombar dos brasileiros que esperam ansiosamente para serem vacinados contra a Covid-19.

Não quero entrar no mérito se a vacina chinesa é boa ou ruim, se existem outras melhores ou não, mas se não for adequada, existem caminhos para desautorizar a importação.

Não precisa o presidente da República assumir esse ônus como se fosse um menino mimado que pega a bola e vai para casa, acabando com o joguinho de futebol da escola.

Onde isso vai parar?

Será que tudo precisa ser feito em nome das eleições de 2022?

Precisamos atravessar um longo período de dificuldades até lá, e nossas autoridades estão preocupadas com 2022. Sinceramente, nunca vi algo parecido na minha vida, e olha, nesses anos todos acompanho a política muito de perto.

Nem no regime militar as coisas aconteciam dessa forma.

Se o presidente Jair Bolsonaro ganhou pontos na discussão sobre o isolamento social, ganhou pontos criando o auxílio emergencial, ganhou pontos com propostas econômicas coerentes defendidas por sua equipe econômica, a ponto de parecer ter superado as picuinhas e estar pronto para grandes e profundas mudanças, aí somos surpreendidos com decisões no mínimo inesperadas.

Um presidente poderia e deveria se colocar acima disso.

Se discorda da vacina chinesa por motivos de política internacional, o presidente pode suspender a negociação.

Se discorda da vacina por falta de convicção que seja a melhor, ou tem dúvidas que funcione, suspende a negociação dentro do próprio governo.

Mas se discorda apenas porque ela está sendo produzida pelo Instituto Butantan, em São Paulo, e porque o projeto foi iniciado pelo governador de São Paulo, que foi a Brasília negociar sua compra com outros governadores junto ao Ministério da Saúde, aí me perdoem.

Mas faltou responsabilidade, inteligência e respeito ao povo brasileiro.

 

Arno Kunzler é jornalista e diretor do Jornal O Presente e da Editora Amigos

arno@opresente.com.br

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