Ecoville – Maior rede de limpeza
Editorial

Ajuricaba: do sonho à realidade

Reciclar, reutilizar e reaproveitar são algumas das ações mais importantes que a sociedade moderna pode fazer para produzir, consumir e viver com mais sustentabilidade ambiental. No Paraná, bons exemplos de sucesso nesse processo, como o reaproveitamento de dejetos de animais, que antes eram passivos ambientais, para a produção de energia elétrica é realidade em muitas propriedades rurais. Agora, na vanguarda, o Estado vai criar a primeira usina que vai transformar o lixo em energia.

Marechal Cândido Rondon é um município pioneiro no uso de esterco animal para a produção de energia. O Condomínio de Agroenergia da Linha Ajuricaba foi um dos primeiros projetos do gênero no país. Com apoio de várias instituições de pesquisa e do Poder Público, um grupo de produtores de suínos e bovinos se organizou em condomínio para, juntos, produzir energia, baratear os custos das propriedades e gerar renda a partir daquilo que antes era considerado um passivo ambiental. Na teoria, o projeto encheu os olhos de todos os envolvidos de esperança em uma produção ambientalmente sustentável e em mais dinheiro no bolso.

Casa do eletricista PRESSURIZADORES

Na prática, as coisas não funcionaram bem assim. Depois de instalado, no ano de 2012, o condomínio começou a gerar os primeiros quilowatts, mas aos poucos o projeto, que teve que caminhar com as próprias pernas, perdeu força e passou a ser visto com pouca animação por quem faz parte dele.

Dos 33 produtores que inicialmente participavam do projeto, hoje só restam 15. Desses, boa parte está desanimada. A parceria para a compra da energia, pela Copagril e pela prefeitura, não vingou. Os produtores estão desestimulados e quem sabe a um passo de parar com a atividade e frear esse importante avanço conquistado no início da década passada. Uma lástima.

O mundo caminha para a produção de energia limpa e renovável, ao mesmo tempo em que precisa aumentar a produção de alimentos para as nove bilhões de pessoas que vão habitar a Terra até 2050. Unir esses dois sistemas, do agronegócio e da produção energética, é uma das mais importantes estratégias que o Brasil, um dos grandes players de carne do planeta, pode tomar para si.

Essa estratégia, além de ambientalmente correta, pode ser muito importante para tomar para si mercados e consumidores cada vez mais preocupados com os modelos de produção de alimentos.

Fato é que o projeto do Condomínio de Agroenergia da Linha Ajuricaba não foi conduzido adequadamente. Se fosse, estaria funcionando a plenos pulmões.

Mas não é o que acontece.

Duas são as necessidades agora. A primeira é detectar os erros, a segunda é não errar novamente em novos projetos. Por fim, é preciso retomar o projeto de Marechal Cândido Rondon, estimular os produtores, fazer valer todo o investimento e atender as expectativas iniciais. Não dá para abandonar o barco no meio do caminho. É um projeto audacioso que merece mais atenção.

O agronegócio brasileiro, especialmente na produção de proteína animal, tem muito a ganhar com esses modelos novos e ecológicos. Errar faz parte de todos os processos, especialmente os novos, o que não dá é abandonar o futuro inegável só por causa de algumas tropeçadas.

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