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Dom João Carlos Seneme

Alegrai-vos, o Senhor está chegando

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“A minha alma se alegra no meu Deus”. A antífona usada no salmo responsorial, resume o conteúdo deste 3º Domingo do Advento. Este domingo tem sido tradicionalmente chamado de “Domingo da Alegria” (Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto), repetindo as primeiras palavras do texto de São Paulo. Estamos chegando mais perto da celebração do nascimento do Senhor, e a Liturgia apresenta um tom festivo para animar os cristãos neste tempo de conversão. O salmo retoma o Magnificat, hino de ação de graças e louvor de Maria.

Mais uma vez, no Evangelho, João Batista é o personagem principal. No domingo passado, ele anunciou a presença do Senhor no meio do seu povo. Hoje será questionado pelos sacerdotes e levitas: “Quem ele era, o que ele estava fazendo, e com que poderes ele administrava um batismo para a remissão dos pecados se ele não era o Messias, o Profeta ou Elias (Jo 1,25). Suas respostas são claras e não deixam dúvidas. Três vezes ele repete: “Eu não sou”, em oposição ao número de ocasiões em que Jesus vai dizer “Eu sou” no Evangelho de João, definindo sua personalidade por meio de imagens como pastor, pão da vida, caminho, luz do mundo, enfim, Filho de Deus. João Batista, em vez disso, define-se como uma testemunha, a voz que anuncia a presença do Messias no meio de seu povo e da mensagem de salvação que só ele pode oferecer. O evangelista sublinha o papel de João Batista como testemunha, como precursor que prepara a chegada do Senhor. Deixa claro a distinção entre o batismo de João, “com água”, e de Jesus, “com o Espírito Santo”. João proclama abertamente que Jesus “é o Filho de Deus”.

A “voz”, através da qual Deus fala, convida-nos a endireitar “o caminho do Senhor”. É, na linguagem do Evangelho, segundo João, um convite a deixar “as trevas” e nascer para “a luz”. Atitude que implica abandonar a mentira, os comportamentos egoístas, as atitudes injustas, os gestos de violência, os preconceitos, o comodismo, a autossuficiência, tudo aquilo que deforma a nossa vida de homens e mulheres criados a semelhança de Deus e nos transforma em escravos e nos impede de chegar à verdadeira felicidade. Este é o momento propício para colocar alguns questionamentos: Em termos pessoais, quais são as mudanças que eu tenho de operar na minha existência para passar das “trevas” para a “luz”? O que é que me escraviza e me impede de ser plenamente feliz? O que é que na minha vida gera desilusão, frustração, desencanto, sofrimento?

A “voz”, através da qual Deus fala, também nos convida a olhar para Jesus, pois só Ele é “a luz” e só Ele tem uma proposta de vida verdadeira para apresentar à humanidade. À nossa volta abundam os “vendedores de sonhos”, com propostas de felicidade “absolutamente garantida”. Há tanta coisa ao nosso redor que nos atrai, seduz, manipula, escraviza e, quase sempre, o resultado é a decepção e infelicidade. João nos garante que somente Jesus é “a luz” que nos liberta da escravidão e das trevas e nos oferece a vida verdadeira e definitiva. Jesus se apresentou como aquele que quer e pode dar a vida: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10).

A Igreja tem razão ao alegrar-se neste Tempo de Advento e fazer germinar a salvação diante de todos os povos como um jardim faz germinar as sementes; deve ser fermento de vida entre todos. É nosso dever de cristãos. O Advento chama a nossa atenção e nos prepara para este encontro. A Eucaristia nos renova a certeza. O Senhor está perto e vem viver como nós para nos mostrar o caminho da vida plena.

 

* O autor é bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

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