Pref. MCR Novembro Azul.
Arno Kunzler

ALIVIANDO A PRESSÃO…

O governador Beto Richa tenta abrir a tampa da panela de pressão que virou o protesto dos professores contra o seu governo.

Ao demitir o secretário da Educação, Fernando Xavier Ferreira, questionado por lideranças e professores desde o início da gestão, Richa abre uma nova perspectiva para dialogar com a classe, talvez não aceita por ela, mas se coloca numa condição de “derrotado” para reiniciar o diálogo.

Casa do Eletricista folha LORENZETTI

O que pesa agora contra o governador é a intenção de manter o secretário de Segurança Pública, Fernando Francischini, cuja saída é pedida até por aliados de Richa, mas principalmente pelas entidades representativas e pelo alto comando das polícias do Paraná.

A dificuldade do governador em demitir o seu secretário de Segurança, anunciado no início do ano com muita euforia, pode resultar numa crescente insatisfação das instituições policiais que já se posicionaram pela demissão.

Mas certamente demitir os secretários, apesar do desgaste político, é a menor dor de cabeça que o governador terá pela frente.

Os ânimos acirrados e a dificuldade de um entendimento sobre questões importantes sob a ótica do governo e inaceitáveis sob a ótica dos professores é que impedem avanços e condições mínimas para harmonia entre o governo e o setor.

Mesmo que o governo atenda à pressão sobre seus secretários, demitindo-os e absorvendo o prejuízo político, não terá nenhuma certeza de que o futuro será de paz e harmonia entre o governo e a classe dos professores. Aliás, o perigo que o governo corre neste momento é que a crise se estenda para outros setores, como a polícia, por exemplo.

O início deste segundo mandato, que, em parte, já está inegavelmente comprometido, pode se tornar um pesadelo para o governo e os paranaenses, caso não seja reestabelecido o diálogo e o bom senso de todos os envolvidos e interessados.

Não há nenhuma chance de sucesso em qualquer iniciativa pública, num regime democrático, quando se fecham as portas para o diálogo e onde não existe bom senso.

 

* O autor é jornalista e diretor do Jornal O Presente

 

arno@opresente.com.br

TOPO