2º Agita Rondon – 2019
Elio Migliorança

ANTIPARANISMO

A máxima popular “pregando moral de cuecas” diz respeito às pessoas que vociferam atitudes corretas e não as praticam. É um eufemismo para a hipocrisia. É o famoso “faça o que eu digo, mas não o que eu faço”. Quando há 923 dias o texto a seguir foi publicado, eu achei que o autor estava sendo injusto com a pessoa a quem era dirigido, que, entre outras coisas, dizia o seguinte: “Na defesa dos seus interesses pessoais, os homens que têm na política sua profissão (nem todos, mas a maioria deles) relegam os interesses do Estado a condições secundárias, colocando sempre em primeiro plano suas mesquinharias e questiúnculas partidárias. Quando assumiu o governo, confiávamos plenamente nos princípios éticos de Orlando Pessuti, colocando ainda como motivação à parte, em favor do Paraná, o fato de ter sido a vida toda menosprezado e até desdenhado pelo seu antecessor. E o que estamos vendo agora? Pessuti jogando contra o Estado, praticando o que podemos chamar de política da terra arrasada, para deixar uma condenável herança maldita ao seu sucessor. A simplicidade de homem bonachão, equilibrado, comunicativo, com cheiro de povo, começa a ser corroída por uma sequência quase desesperada de atos precipitados”.
O texto grifado, de autoria de um jornalista e empresário do setor de comunicação, foi publicado em jornal de circulação estadual no dia 24/11/2010. Agora a máscara caiu. Dia 22 de maio a imprensa divulgou a aprovação pelo Tribunal de Justiça do Paraná da devolução da aposentadoria vitalícia ao Sr. Orlando Pessuti por ter ocupado o cargo de governador durante nove meses. Isso mesmo. Por nove meses no cargo, vai ter uma aposentadoria vitalícia de R$ 25 mil mensais. Um decreto do governador Beto Richa no início de 2011 havia cortado tal benefício aos ex-governadores que exerceram o cargo após o ano de 1988, ano da promulgação da nova Constituição do Brasil. Mas o Sr. Pessuti entrou com um mandato de segurança e o Tribunal de Justiça lhe devolveu o benefício. Não importa se tal benefício está previsto em lei. Nem tudo o que é legal é justo. Um homem que tenha vergonha na cara não pode aceitar uma aposentadoria de R$ 25 mil mensais pelo resto da vida por ter exercido um cargo durante nove meses. Tem que levar em conta que o povo é que vai pagar esta conta. Muita gente trabalhou a vinda inteira no pesado e não recebe nada e quando recebe aposentadoria é de um salário-mínimo mensal. Tem que levar em conta que este dinheiro vai faltar para a saúde e muita gente vai morrer por falta de medicamentos ou atendimento. Nem para o governador que exerceu o mandato por quatro ou oito anos devia existir aposentadoria. No máximo devia ser contado o tempo de contribuição para aposentadoria como fazem com todos os trabalhadores. E se o cidadão não tem como sobreviver após o mandato de governador, que não se candidate e fique cuidando de sua vida profissional. E os nossos deputados estaduais já deviam ter feito uma lei proibindo a concessão deste tipo de benefício. Mas, como “cobra não come cobra”, podemos esperar sentados para que isso aconteça um dia. O Brasil de maior poder está roubando do Brasil que não tem poder nenhum.

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