Ecoville – Maior rede de limpeza
Arno Kunzler

Apáticos

O senador Oriovisto Guimarães (PODE-PR) fez um pronunciamento no Senado relatando com muita propriedade a realidade política brasileira.

Na década de 70, os jovens brasileiros, inclusive eu, gritaram por democracia, pedindo liberdade de expressão e eleições livres.

Casa do eletricista PRESSURIZADORES

Tínhamos dois partidos, Arena e MDB, e era proibido criar outros.

Mas dentro da Arena e do MDB haviam disputas pelo diretório nacional, pelos diretórios estaduais e, principalmente, pelos diretórios municipais, onde começa a verdadeira democracia.

Disputas emblemáticas dentro da Arena especialmente.

Aqui em Marechal Cândido Rondon, no início da década de 70 a Arena 2 comandada pelo ex-prefeito Werner Wanderer derrubou a poderosa Arena 1, liderada pelo então prefeito Dealmo Selmiro Poersch com apoio de lideranças tradicionais, como Arlindo Lamb e outras.

A disputa interna no partido ocasionou uma alternância no comando do partido, que permitiu indicar um novo prefeito – na época nomeado, que possibilitou depois que Werner Wanderer se elegesse deputado estadual e federal.

Na década de 80 houve a reformulação partidária no Brasil, todos os dissidentes podiam criar partidos.

Depois resolveram criar o fundo partidário.

E agora criaram o fundão eleitoral.

Nada mais insano do que um partido político que não oferece disputa interna receber dinheiro público para distribuir para quem quiser, tipo amigos e aliados, provavelmente muitos assinando recebimento de pequenas fortunas e devolvendo a maior parte para o “dono” do negócio.

Essa insanidade persiste às reformas políticas propostas justamente porque interessa aos “donos” do negócio, que são os líderes partidários e, via de regra, indicados pelos presidentes ou pelas bancadas afinadas com seus presidentes.

É uma crueldade que fazem com o rico dinheirinho dos contribuintes brasileiros, um desserviço à democracia.

Se o excessivo número de legendas já virava negócio na hora de formar coligações por causa do tempo de televisão, imagina agora com um montão de dinheiro para distribuir?!

Os “donos” do negócio, ao invés de melhorar a legislação partidária e eleitoral, conseguem piorar ela a cada reforma.

Do jeito que está, um grupo de pessoas com a melhor das intenções pode iniciar um belíssimo trabalho aqui na base e quando está pronto para disputar a eleição e colher os frutos de longos anos de política partidária séria, vê seu partido sendo negociado para um adversário local, ou em Brasília ou em Curitiba.

Isso é um desestímulo muito grande e inibe qualquer pessoa séria a ingressar na política, querendo fazer carreira pelo caminho correto.

Sem uma mudança clara e definitiva na lei orgânica dos partidos políticos e com tanto dinheiro em jogo, a situação tende a piorar muito.

Como as leis foram feitas pelos próprios beneficiários e só poderão ser modificadas se os beneficiários fizerem isso contra seus próprios interesses, é de se imaginar a dificuldade que haverá pela frente.

Do jeito que estamos fazendo, estamos destruindo a democracia.

Não basta uma voz destoante no Congresso como a do senador Oriovisto, será necessário muito mais.

 

Arno Kunzler é jornalista e diretor do Jornal O Presente e da Editora Amigos da Natureza

arno@opresente.com.br

TOPO