Dom João Carlos Seneme

Aquele que vive deve ser buscado onde há vida

Os textos da liturgia deste ano têm uma conotação especial. Estamos em plena celebração do mistério pascal, dentro do evento do Ano Jubilar da Misericórdia e no domingo que São João Paulo II instituiu como “Domingo da Misericórdia”.

O texto evangélico quer reforçar o papel da comunidade na vida dos discípulos: eles estão reunidos e a insegurança e o medo tomam conta (“noite, “portas fechadas”, “medo”). Neste contexto Jesus aparece no meio deles e assume seu papel de mestre e senhor, tornando-se o ponto de referência. A alegria e a confiança retornam: o Senhor está no meio deles! Ele lhes oferece o dom do Ressuscitado que é a paz e lhes garante que a morte, o medo e a hostilidade do mundo foram vencidas pela cruz e ressurreição. Em seguida, Jesus “sopra sobre eles” e lhes dá uma vida nova, infundindo a vida de Deus. A partir de agora, eles serão novas criaturas com a missão de oferecer este mesmo dom a todos. É dom do Espírito Santo, vida de Deus, que anima e forma esta nova comunidade.

Em seguida, o texto oferece uma catequese sobre a fé. Como se chega à fé em Cristo ressuscitado? São João responde: fazendo parte de uma comunidade de fiéis que acreditam e partilham a mesma fé em Jesus vivo e ressuscitado. A comunidade se torna um lugar natural e propício onde se manifesta e irradia o amor de Jesus.

Tomé representa aqueles que vivem fechados em si mesmos e não conseguem se abrir para a novidade da Ressurreição. Precisam de provas, têm medo de se arriscar no mistério insondável de Deus. Mesmo duvidando não desistem da comunidade e de Deus, por isso Tomé é favorecido pela misericórdia de Jesus, que o ajuda a experimentar a vida nova do Ressuscitado: “põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel”. Jesus lhe revela sua identidade nova nos sinais de sua morte e ressurreição, sinais de amor e doação. Ele não é mais aquele mestre que os instruía e vivia com eles. Agora Ele é o Filho de Deus que se curva e revela sua misericórdia e atende à necessidade de Tomé. Neste momento, Tomé acredita e faz a sua profissão de fé: “Meu Senhor e meu Deus”! De ora em diante a fé se torna um dom de Deus que deve ser vivenciado na comunidade de modo a formar novos discípulos e discípulas que não poderão tocar os sinais do Ressuscitado, mas que mesmo assim acreditarão pela revelação de Deus e pelo testemunho de outros. “Bem aventurados os que creram sem terem visto”. Também, nós, somos convidados a viver esta bem aventurança. Que nossas dúvidas se tornem caminho de fé, como foi para São Tomé!

Páscoa e Misericórdia divina se misturam num único objetivo de revelar o quanto somos amados por nosso Deus. Só o amor de Deus explica e garante nossa fidelidade a Ele.

Neste domingo (03), na Catedral, às 19 horas, celebraremos a missa de abertura do Congresso Diocesano da Família que tem como tema “Família, sua beleza de verdade” e lema “O lar como escola de amor e misericórdia”. Venha participar conosco!

 

Bispo da Diocese de Toledo

 

revistacristorei@diocesetoledo.org

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