Brincando na Praça 2019
Editorial

Armas e inteligência

A segurança pública é talvez o setor que mais demande investimentos atualmente no Brasil. São mais de 60 mil mortes violentas por ano, outras 50 mil nas estradas, três feminicídios por dia, bala perdida, mega regiões inteiras dominadas por traficantes e policiais corruptos no Rio de Janeiro, onde o Estado não chega com sua mão, bala perdida nas escolas, no trem, em casa. Nem o Exército deu conta. Policiais viram números antes de serem enterrados.

Centenas de milhares de assaltos a residências, furtos no comércio, latrocínio na varanda de casa, depredação e roubo das coisas públicas, até as lápides dos cemitérios não escapam dos bandidos. E os presídios, onde armas e celulares entram à revelia? Poderíamos acabar com o espaço desse editorial discorrendo exemplos da caótica segurança pública no Brasil, mas certamente faltariam muitas linhas.

Casa do Eletricista SORTEIO DE VERÃO

Ao invés disso, é preciso focar no que é preciso fazer para reverter esse quadro degradante, fruto de muitos e muitos anos de desleixo com as forças de segurança. O tráfico de drogas é uma indústria altamente lucrativa. Por trás de milionários escondidos nas mansões escondidas dentro das favelas, mas também nos condomínios de alto padrão nas regiões mais nobres, estão comandantes desse sistema, que movimenta bilhões de reais e acoberta outros tantos crimes que se cometem secundariamente.

Por isso, é fundamental investimento nas fronteiras brasileiras, seja aqui no Oeste do Paraná, em Mato Grosso, seja nos portos e também aeroportos. As fronteiras, por onde passam as drogas e armas que matam inocentes, precisam ser melhor controladas. Para isso, é preciso investir em equipamentos, como armas para os policiais, embarcações, veículos não tripulados, mas especialmente é preciso investir em inteligência.

Muito da ineficiência que acomete a segurança pública vem porque o bandido está geralmente à frente dos policiais. Um exemplo claro disso é que a frequência da polícia é facilmente captada por qualquer um que tenha um rádio amador. O policial fala o que está fazendo, mas é escutado pelo bandido. Seria cômico não fosse trágico.

O Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) acaba de receber um caminhão com inteligência e que vai vigiar pelas lentes de câmeras de segurança instaladas de Foz do Iguaçu a Guaíra. O objetivo, em tempo real, é observar possíveis crimes sendo praticados e dar suporte às demais forças de segurança. É uma iniciativa louvável, e bem-vinda.

Essa fronteira que aglomera Brasil, Paraguai e Argentina precisa de atenção. É dessa rota que entra grande parte do contrabando e tráfico no Brasil. Cuidar de uma fronteira assim requer mais que câmeras e helicópteros, requer vigilância exaustiva, 24 horas por dia, 365 dias por ano, mas também inteligência para encontrar os grandes “tubarões” do crime e parar de ficar prendendo as mulas que cruzam as fronteiras da ilegalidade e lotam as cadeias onde aprendem como não cair da próxima vez.

TOPO