Brincando na Praça 2019
Silvana Nardello Nasihgil

Arrumando e desarrumando a mala: somos viajantes!

 

E nas incertezas da vida a gente vai seguindo. Não sem arrumar e desarrumar a mala o tempo todo.

Somos viajantes de um planeta chamado terra e estamos acondicionados dentro de um dom muito precioso chamado vida.

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Dá para pensar um pouco a respeito, e com serenidade buscar sentir a imensidão desse conjunto?

E então… cada momento é único, tanto na sua beleza, felicidade, bem-estar, como também cada momento é único na tristeza, angústia, desconforto. O tempo se reveza entre altos e baixos, não parando para esperar a gente decidir que atitude tomar.

Como nem todo o bem dura a vida toda, nem todo o mal viverá em nós eternamente. Aí que está um dos exercícios de vida mais difícil de assimilarmos. Basta um momento de sofrimento para que se tenha a sensação que a vida está saindo do controle. A sensação é que ela vai se esvaindo feito água entre os dedos, e que ela vai parar.

E começamos a sentir pena de nós. Instala-se um processo de autodestruição, autopiedade, um processo de olhar e exaltar toda a negatividade, as fraquezas, a falta de coragem, de determinação. Em pouco tempo começam as autocríticas, passa-se a ser feio(a), sem atrativos, acima do peso. Logo falta cultura, dinheiro, amigos. Um pouquinho adiante, ninguém me quer, ninguém me ama… pronto!

Está completo o “combo” de uma vida que perdera e sentido, na qual se instalara uma cegueira, não permitindo enxergar além daquilo que na mente paralisara.

Por sermos uma obra prima de Deus, tão complexos em nosso mecanismo físico, e tão sem limites no nosso imaginário, subestimamos tudo isso quando nos colocamos disponíveis para sofrer sem fim.

Nessas horas, quando algumas vezes permitimos esse processo desastroso, deveríamos olhar para dentro de nós, buscarmos lembrar entre os entulhos que temos permitido acumular nas nossas vidas, quantas vezes o sofrimento bateu à nossa porta e quantas vezes não permitimos que ele entrasse. Quantas vezes ele bateu e a gente deixou entrar, e logo depois convidou para que se retirasse. E quantas vezes a gente o convidou para entrar e fazer parte do contexto. Sem dúvida, foram muitas vezes que as coisas não deram certo, que a felicidade não foi parceira, mas estamos inteiros, temos tudo ainda para continuar.

Deveríamos em seguida lembrar de quantas coisas boas já vivemos, quantos momentos foram perfeitos, tão plenos que a gente sentiu vontade de paralisar o tempo para poder saborear aquela sensação eternamente. E mesmo assim eles se foram e só ficou a saudade e as doces lembranças.

Então, dentro desse vai e vem da vida a gente precisa compreender que por tudo o que somos e por tudo o que desejamos ser e almejamos viver, toda essa força precisa vir de dentro de nós, porque é lá que ela está, esperando ser acionada para entrar em ação e nos ajudar a dar sentido para aquilo em que deixamos de acreditar.

É dentro de nós que estão os “botões” de comando das nossas atitudes, da nossa coragem, do foco e da fé.

Não podemos nos conformar com o que nos é dado sem questionarmos, sem nos permitirmos, sem nos colocarmos disponíveis para buscar os acertos. Não existe vida feliz, alma em paz e coração transbordante de amor se não construirmos isso. Esses são presentes que não caem do céu, mas nos foram dados e estão disponíveis para quem acreditar. Todos eles e muitos mais. Bem dentro de todos nós. Basta querer, e crer!

 

 

Silvana Nardello Nasihgil é psicóloga clínica (CRP – 08/21393)

silnn.adv@gmail.com

 

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