Copagril
Tarcísio Vanderlinde

As colunas de Cafarnaum

“As tarantuas continuaram seu caminho, e eu tomei a esquerda descendo mais rapidamente para o lago, que ainda não me parecia tão belo como depois. Agora estava à margem dele em Tell-Hum. O chão estava cheio de troços de colunas; pedaços de entablamento com baixos-relevos, alguns de desenho curioso e um capitel coríntio. Os beduínos, que aí acampam, serviam-se de outros restos para suas casas, que parecem de bichos. Achava-me no lugar da sinagoga onde Cristo pregou”. O trecho aparece no diário de D. Pedro II e fala de sua passagem pela ruinas da cidade de Cafarnaum às margens do mar da Galileia em novembro de 1876.

Os “restos” conhecidos pelos que habitavam o local durante séculos foram estudados pelo arqueólogo Edward Robinson em 1851. A primeira escavação foi realizada no ano de 1865. Em 1894, a Custódia Franciscana da Terra Santa adquiriu o local dos turcos, construiu um monastério, cobriu as ruínas e fez plantações sobre elas, a fim de mantê-las seguras até que a situação política permitisse escavações mais cuidadosas e com segurança. As escavações se concentraram de 1905 a 1926.

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O resultado acabou revelando uma grande e bem ornamentada sinagoga feita de rocha calcária planejada como uma basílica retangular de 18 metros de largura por 24,5 metros de comprimento. A estrutura estava voltada para o Sul, na direção de Jerusalém. Durante vários anos, como também havia observado D. Pedro, os estudiosos acreditavam que as ruínas representavam a estrutura na qual Jesus teria ensinado. No entanto, novas escavações realizadas a partir do final dos anos de 1960 revelaram uma estrutura ainda mais antiga de rochas basálticas no subsolo da primeira.

Embora as duas construções tenham sido edificadas no mesmo local, parece não haver dúvidas de que a estrutura de basalto de fato tenha sido a sinagoga frequentada por Jesus. A magnifica construção que veio inicialmente à luz é mais tardia. É do período bizantino, e pode ter sido edificada entres os séculos II e IV d. C.

Durante muitos séculos, aquele lugar às margens do mar da Galileia era conhecido apenas como Tel-Hum (Colina de Hum). Uma colina formada por terra, cascalhos e escombros que o tempo se encarregou de formatar ao cobrir as construções que ali haviam. Alguns vestígios que ficaram à vista motivaram as escavações. Como resultado, além das sinagogas, reapareceram diversas outras edificações que se crê ser da época de Cristo. Entre elas, os fundamentos de um antigo templo cristão em forma octogonal e as paredes da casa que se imagina ter sido do apóstolo Pedro e onde possivelmente Jesus teria se hospedado por diversas vezes.

Cafarnaum se notabilizou como o centro do ministério de Jesus na Galileia. Ali Jesus realizou muitos milagres e costumava entrar na sinagoga de basalto onde era convidado a ensinar. Todavia, dela não se pode mais ver muita coisa.

A centralidade da cidade de Cafarnaum no ministério de Jesus fez ela ser conhecida como a “Cidade de Jesus”. Contudo, são as colunas da sinagoga construída sobre a primeira, e que foram desenterradas aos poucos no século XX, que marcam de forma espetacular o sítio arqueológico na atualidade. Ainda ornadas com capitéis coríntios, são elas que nos remetem às tantas histórias que se acredita ter acontecido naquele lugar.

 

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