Elio Migliorança

AS DIFERENÇAS QUE FAZEM A DIFERENÇA

Um dos temas presente em todas as discussões sobre a crise que assola o país é a falta de investimento em áreas estratégicas, e uma delas é a geração de energia elétrica, indispensável para o crescimento nacional. Dia 7 de agosto chegou ao final uma negociação de alguns meses que me possibilitou dar um salto rumo ao 1º mundo. Instalei um sistema de energia fotovoltaica que torna minha residência auto suficiente em energia elétrica e ainda produz excedente que é distribuída para a rede da Copel. Modelo de produção ecologicamente perfeito por transformar a luz solar em energia elétrica, não deixa resíduos e utiliza uma fonte de energia inesgotável. O único fator a inibir a expansão deste sistema é o custo final considerado alto para os padrões nacionais. Parte do material é importado e a parte nacional vem carregada de impostos o que torna salgado o preço final. Incentivo do governo, por enquanto nenhum. O empresário especialista que executou a obra, desde o projeto, seu registro junto aos órgãos competentes e a instalação do sistema, relatou que foi na Alemanha onde buscou o treinamento e o conhecimento necessário para instalar estas unidades geradoras de energia fotovoltaica. A diferença entre nós e eles é que na Alemanha o governo incentiva e subsidia a aquisição e instalação dos equipamentos. Após o acidente na usina nuclear de Fukushima no Japão, o governo alemão cujo país produz 50% de sua energia a partir de usinas nucleares, decidiu substituí-las por outras fontes de energia. Ato contínuo ofereceu aos cidadãos interessados na instalação do sistema de produção de energia fotovoltaica o subsídio de 80% para aquisição dos equipamentos necessários. Quando o sistema começa a produzir, o proprietário recebe pela energia devolvida à rede pública o triplo do valor que paga quando compra energia. Diante do projeto governamental a produção de energia fotovoltaica cresceu muito no país e o projeto de substituição das usinas nucleares deve ser alcançado alguns anos antes da meta estabelecida. Isto é um projeto de país de 1º mundo. Mas não esqueçamos que estamos no Brasil e aqui, o incentivo é zero, todos os equipamentos pagam impostos e pela energia devolvida à rede da Copel você recebe o mesmo valor que paga quando compra a energia. Aqui não há projeto de substituição das usinas nucleares por outras fontes de energia, embora até as pedras do calçamento da praça central saibam que a produção de energia no país está no limite e corremos sério risco de novos apagões a qualquer momento. Continuaremos pagando a injusta bandeira vermelha símbolo da incompetência governamental de bem planejar o futuro. Por incrível que pareça o apagão só não acontece por conta da crise que obrigou muitas industrias a desacelerar sua produção e com isso consomem menos energia. Aqui ao invés de discutir projetos futuros o governo reúne seu mega ministério para analisar prisões, protestos, planejar conchavos e retaliações políticas contra a base aliada infiel. E o Supremo Tribunal Federal joga mais lenha na fogueira aumentando seus próprios salários conforme recente decisão publicada. São estas as diferenças que fazem a diferença entre países de 1º mundo e nós.

 

* O autor é professor em Nova Santa Rosa

 

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