Copagril – Sou agro com orgulho
Tarcísio Vanderlinde

Bajulação fatal

O rei Herodes Agripa aparece em vários momentos na obra do historiador Flávio Josefo. Era neto de Herodes, o Grande (o Herodes mais famoso), sobrinho de Herodes Antipas e irmão de Herodias. Governou territórios de Israel de 41 a 44 d.C. nos anos das primeiras comunidades cristãs.

Estudou em Roma, onde consta ter tido uma vida libertina. Por declarar publicamente que preferiria no poder seu amigo Caio Calígula, acabou sendo preso pelo então imperador Tibério, permanecendo encarcerado até a morte do mesmo.

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Ao subir ao trono, Calígula recompensou o amigo concedendo-lhe poder em Israel, além de conferir-lhe o título de rei, honrarias que despertaram ciúmes no seio de sua própria família. Quando Calígula morreu, Agripa buscou o favor de Cláudio, novo imperador, que ampliou seus domínios sobre as terras de Israel, incluindo a Samaria e a Judeia, territórios outrora governados por seu avô.

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Os atos de Agripa contra os cristãos, bem como sua morte inesperada em Cesareia, aparecem narrados por Lucas em Atos do Apóstolos. No escrito ele é lembrado por ter mandado matar o apóstolo Tiago e prender Pedro. Com isso pensava obter o favor dos judeus que mantinham conflitos com os cristãos.

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De acordo com Lucas, havia sido agendado pelo povo de Tiro e Sidom, uma audiência com o rei em um dia de festividade. Celebrava-se o terceiro aniversário do reinado de Agripa. Josefo conta que no segundo dia dos espetáculos, Agripa veio bem cedo, pela manhã, ao teatro, com uma veste cujo forro era de prata trabalhada com tanta arte, que quando o sol o iluminava, “desprendiam-se reflexos que não se podiam olhar para ele sem se sentir tomado de um respeito, misto de temor”.

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Diante da cena surgiram bajuladores assim descritos por Josefo: “Mesquinhos bajuladores, então, com palavras melífluas que destilam veneno mortal no coração dos príncipes, começaram a dizer que até então haviam considerado seu rei, como um simples homem, mas que agora viam que o deviam reverenciar como um deus, rogando-lhe que se lhes mostrasse favorável, pois parecia que ele não era como os demais, de condição mortal”.

Agripa teria tolerado a bajulação a qual Josefo nomina de “impiedade”, por ter ele sido aclamado como um deus. Segundo Lucas, no mesmo instante Agripa foi ferido com uma enfermidade que o levou à morte em poucos dias. Segundo Atos, a causa teria sido decorrente de ele ter aceito a bajulação sem ter transferido as glórias devidas a Deus.

 

O autor é professor sênior da Unioeste

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tarcisiovanderlinde@gmail.com

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