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Editorial

Balde de água fria?

Hoje há duas realidades claras quando o assunto são os peixes do Lago de Itaipu.

A primeira. Entre os pescadores amadores e profissionais que frequentam o reservatório da Usina Hidrelétrica, é muito comum a afirmação de que determinadas espécies já não dão mais as caras nas águas calmas que banham os 15 municípios da Costa Oeste e que daquelas que sobraram, o tamanho diminuiu drasticamente nos últimos anos. Espécies “nobres”, como durado, pintado, jaú e pacu, desapareceram.

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A segunda. É preciso mudar ou, pelo menos, melhorar este cenário se quiser se pensar na pesca esportiva como um atrativo para atrair turistas à região.

A Itaipu garante que anualmente são soltos em torno de 700 mil a um milhão de peixes no reservatório, em diferentes épocas do ano, conforme os peixes atinjam em cativeiro tamanho ideal, enquanto a média de captura anual é próxima a 1,3 mil tonelada de pescados.

Se levado em conta tais dados, a conta não bate. Se quase um milhão de peixes são soltos por ano e aproximadamente 1,3 mil tonelada de pescados é capturada, deveria estar sobrando peixe.

O “x” da questão está na pesca predatória.

Muitos pescadores, até mesmo os profissionais, capturam os peixes ainda pequenos, impedindo que as espécies atinjam seu potencial máximo de crescimento. Além disso, muitas entidades que querem ajudar, contribuindo com o repovoamento, infelizmente fazem a soltura de alevinos muito pequenos, os quais acabam capturados pelos peixes predadores.

Desse jeito, não há como a pesca sobreviver. Se não há chances para os peixes crescerem e se reproduzirem, não haverá variedade, muito menos quantidade.

De olho nessa situação, o Conselho de Desenvolvimento dos Municípios Lindeiros ao Lago de Itaipu vislumbra tirar do papel um projeto que pretende melhorar a atividade pesqueira e fomentar o turismo de pesca nesta área. A entidade acredita que seria necessário um repovoamento de peixes, mas com o reservatório totalmente fechado para a pesca, tanto profissional como amadora e esportiva, por uns dois ou três anos. Esse tempo possibilitaria que as espécies crescessem e se reproduzissem, a ponto de quando reaberta a pesca, peixes graúdos e variados atraírem turistas.

A ideia é tornar o Lago de Itaipu um atrativo pesqueiro, assim como hoje é o Pantanal Mato-Grossense.

Para os pescadores, tal projeto deixa “uma pulga atrás da orelha”. Muitos concordam que proibir a pesca por um determinado período para fazer o repovoamento do lago seria importante para melhorar a quantidade de peixes disponíveis, porém, chamam a atenção para algo primordial: se não houver fiscalização efetiva de quem faz a pesca predatória e da malha de rede, de nada adiantará repovoar. De outra parte, outros tantos se mostram temerosos com a ideia, uma vez que exemplos semelhantes, como os ocorridos nos rios Ivaí e Piquiri, resultaram na não reabertura para a pesca.

Caberá a Itaipu acatar ou não a sugestão do Conselho dos Lindeiros. As negociações estão abertas e assunto em pauta. Todavia, a declaração da gerente do Departamento de Reservatório e Áreas Protegidas da Binacional, Carla Canzi, feita à reportagem de O Presente, pode representar um balde de fria nas lideranças da Costa Oeste. Ela afirmou que o fechamento da pesca é um processo inviável e representaria prejuízos econômicos incalculáveis aos pescadores. Além disso, comentou que existem exemplos em outros reservatórios em que esta prática foi realizada por mais de 20 anos sem sucesso.

Resta, agora, esperar os próximos capítulos.

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