Editorial

Balela

O motorista brasileiro sofreu ontem (04) mais um revés, com o anúncio de outro aumento nos preços dos combustíveis. De julho para cá, a alta já passou de 13%, fazendo com que o preço médio pago pelo litro da gasolina no Brasil, de acordo com pesquisa da Agência Nacional do Petróleo (ANP), chegasse a R$ 3,778. Quem abastece em Marechal Cândido Rondon sabe que essa conta é muito mais salgada. Não é de hoje que o litro da gasolina passa da casa dos R$ 4 em vários postos. E deve vir mais aumento por aí nos próximos dias – ou nas próximas horas.
A vida do motorista brasileiro não está nada fácil. A “nova política de prática de preços” da Petrobras está saqueando os ganhos do trabalhador que precisa do veículo para ir ao serviço, das famílias que precisam ir ao mercado ou à farmácia, dos motoristas e transportadoras que cruzam as rodovias do país levando os produtos nacionais; enfim, de todo mundo. Além de saquear o bolso, está elevando a inflação, causando um efeito bumerangue para os contribuintes, que vão ver seu poder de compra reduzir e pagar a mais ao encher o tanque.
Desta vez o furacão que atingiu os Estados Unidos é o culpado. A falida e mal falada estatal brasileira do petróleo culpa o fenômeno natural por ter deixado de produzir em suas refinarias no país ao Norte. Assim, alegou que precisa aumentar os preços. Balela! Ontem, quando o governo brasileiro anunciava um aumento de 3,3% na gasolina, os preços de referência para os estadunidenses caiam 4%. Por lá, a exploração e comércio por diferentes empresas faz o preço desse importante insumo ser infinitamente menor que no Brasil.
Quando o preço do barril do petróleo no mundo caiu de US$ 150 para US$ 50, nenhum brasileiro observou substancial queda nos preços na bomba. Mas quando um furacão atravessa um trecho de um país a milhares de quilômetros já vale o aumento. As injustiças não acontecem somente no cenário dos combustíveis, mas na arroba do boi, no preço do leite e em outros segmentos que obrigatoriamente o brasileiro precisa para sobreviver.
Depois de ter sido saqueada por bandidos inescrupulosos, as lideranças do governo federal querem que a Petrobras saqueie os brasileiros para voltar a ter fôlego e caixa, ampliando ainda as receitas federais com os impostos.
Definitivamente essa gente que comanda o Brasil e os brasileiros não tem a mínima decência. À mercê de mandos e desmandos, de emendas na surdina, de comitês financeiros que não têm rosto e de tantas outras formas de enrolação, o povo padece. Paga para tudo e por tudo, sem muito reclamar. Aliás, esperneia, mas não muito mais que isso. No fim das contas, acaba aceitando a conta.
Chega de alta de impostos, chega de aumento dos combustíveis, chega de financiamento público para campanhas em que são eleitos muitos daqueles que vão voltar a te roubar. Chega para o brasileiro ter que pagar pelos erros e crimes de quem deveria gerenciar com maestria uma das maiores economias do planeta. Ainda bem que Marechal Rondon é plana e propicia o uso de bicicletas.

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