Pref. CORONADENGUE
Ecoville – Maior rede de limpeza
Elio Migliorança

BARREIRA MILITAR

Das diversas programações alusivas aos 38 anos de história de nosso município, a que mais chamou a atenção da população foi a presença de militares durante uma semana em Nova Santa Rosa. Não foi uma simples presença como quem está fazendo um passeio. Foi uma semana de intenso trabalho que revelou ser possível o controle do tráfico de drogas, do contrabando de cigarro e armas, bem como do roubo de carros, desde que haja um projeto e vontade política dos responsáveis. Para nossa população e aqueles que passaram por aqui, uma experiência diferente e inesperada. Você saia para uma rodovia e lá estava a placa: barreira militar. Motoristas eram abordados, documentação verificada, veículo vistoriado e desde que tudo estivesse em dia você estava liberado. Como é de praxe, você pensava em retornar por outro caminho para economizar aquele tempo da abordagem. Mas o esquema de trabalho era tão bem elaborado que as barreiras se deslocavam a cada duas ou três horas, e assim ao retornar por outro caminho, lá estava ela de novo: barreira militar. O ritual se repetia, nova verificação e você era liberado para seguir viagem. Ao retornar pelo mesmo caminho tempo depois, você descobria que a barreira já tinha se deslocado para outro ponto. Desta forma você nunca sabia onde eles estavam e por quanto tempo. E isso era feito dia e noite. De parte da população em geral, foram muito mais elogios que críticas. Aliás, quem está com a documentação em dia e segue as normas de segurança não tem motivos para reclamar. Sentimo-nos seguros, pois com tal esquema de fiscalização a bandidagem com certeza considerou esta área prejudicial à sua saúde. Característica marcante do trabalho dos homens do Exército foi a educação e o respeito com que as abordagens eram feitas. E seriedade, pois se alguém arriscou a pedir ao soldado para lhe “quebrar um galho” provavelmente teve o galho quebrado no próprio lombo. O aprendizado que o treinamento proporcionou foi de que é possível controlar na região de fronteira todos os contrabandos: drogas, cigarros, armas ou carros roubados. Forças de segurança suficientes nós temos. O esquema de trabalho devia ser este. Barreiras nas rotas da bandidagem, as forças de segurança sabem onde é, em horários e tempo imprevisíveis, durante as 24 horas do dia, em dias escolhidos de forma aleatória e sem ser noticiado pela imprensa. As prisões efetuadas ou contrabandos apreendidos ficariam em sigilo para não alertar os demais quadrilheiros. Talvez o entrave esteja nas mãos de quem manda, nossas autoridades, porque não sabemos quem são os chefões do contrabando, qual o poder político que possuem e os interesses que movem estas engrenagens tão próximas uma da outra: a do poder e a da criminalidade. Está aí o quase ex-deputado André Vargas para comprovar como o poder e o crime andam muitas vezes de mãos dadas. E se alguns acham que a única função do Exército é defender o país em caso de guerra, esta é uma verdadeira guerra, pois armas e drogas já mataram mais brasileiros que todas as guerras em que o Brasil esteve envolvido. Uma parceria interessante entre a prefeitura e o 33º Batalhão de Infantaria Mecanizado de Cascavel para mostrar que a segurança tem solução.
* O autor é professor em Nova Santa Rosa
miglioranza@opcaonet.com.br

TOPO