Copagril
Arno Kunzler

Bons exemplos

O Brasil está carente de bons exemplos, de pessoas que servem de inspiração para os jovens.

Uma democracia jovem com instituições ainda em processo de afirmação.

Partidos políticos fragmentados pela falta de objetividade.

As legendas (nunca é bom generalizar, mas neste caso) todas abrigam pessoas que não as merecem. Assim, fazem dos partidos seus negócios.

E o poder acaba quase sempre, ou pelo menos muitas vezes, nas mãos de quem não deveria, ou que não está preparado para tal.

Mãos que decidem mal, que agem por interesse menor.

É uma pena que ainda seja assim, mas é o preço da liberdade, é o preço da democracia.

Vivemos de incertezas, mais que de certezas.

Às vezes, a impressão é que aquilo não tem jeito, que o Brasil está entregue de bruços e não terá capacidade para reagir.

Mas as lições da democracia nos ensinam que o poder emerge do povo.

Esse mesmo povo, pacato demais, violento demais, corrupto demais, desinformado demais, desinteres-sado demais, esse mesmo povo vai ter que encontrar um novo caminho.

E o caminho, às vezes, impossível de vislumbrar, aparece do nada.

Quando quase todos os brasileiros achavam que o Supremo Tribunal Federal (STF) fosse produzir mais uma daquelas “pizzas” que estamos acostumados, eis que surge um EXEMPLO.

Alguém no meio dessa imensa multidão, alguém quase vivendo no anonimato, não fosse sua presença marcante no Supremo, por ser o primeiro negro a ingressar na Corte: Joaquim Barbosa é um EXEMPLO.

Ele é o que José Dirceu e o presidente Lula deixaram escapar.

Um bom exemplo a ser seguido. Brigou com galhardia para fazer valer seu relatório e não permitiu que as forças políticas influenciassem suas decisões.

Joaquim Barbosa, um exemplo que pode inspirar não só os jovens, mas muitos de nós que, invariavelmente, às vezes, preferimos permanecer na zona de conforto, a enfrentar esse mal que é a corrupção.

E antes que a culpa por esse mal recaia toda sobre José Dirceu, Genoíno, Delúbio e Lula, é bom cada um de nós fazer o seu exame de consciência.

Certamente a grande maioria de nós tem muito mais a se envergonhar do que se orgulhar em nossas vidas.

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