Copagril
Elio Migliorança

BRASIL ENTUPIDO

Os debates acalorados no processo eleitoral recente abordaram temas periféricos e ignoraram uma das questões mais importantes para o futuro. A população cresce à velocidade da luz e os investimentos para atendê-la vão a passos de tartaruga. E olha que não é uma tartaruga ninja não. Em qualquer lugar que se vá, tem-se que enfrentar fila. É fila para tudo porque está sobrando população para a estrutura de que dispomos. As políticas públicas focaram o assistencialismo, nada contra amparar emergencialmente quem tem mais necessidade, mas não podemos esquecer da infraestrutura para atender as necessidades nacionais. As imagens mostradas na imprensa sempre são chocantes. E para entender que o problema é sério, não é necessário ir muito longe. Podemos analisar a situação regional.
Setor de saúde, que é uma das necessidades mais urgentes da população. Cidade de Toledo. Trinta anos atrás. Quantos hospitais existiam? Se não estou enganado eram três. Hospital Bom Jesus, Campagnolo e Dall’Oglio. Hoje continuam três, mas com dezenas de milhares de habitantes a mais.
Se andarmos um pouco mais e chegarmos a Cascavel, a situação é caótica. O número de ônibus que chega diariamente à cidade, carregado de pacientes é maior que o número de passageiros em trânsito pela cidade. O que mais as prefeituras da região fizeram foi comprar ônibus e vans para o transporte de pacientes para Cascavel. Os médicos desdobram-se, mas possuem um limite físico, fazem o que podem.  Os valores pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aos hospitais é uma piada. Em 13 de setembro passado, quando se noticiava uma greve dos cirurgiões cardiovasculares da Bahia, um médico revelou que uma cirurgia cardiovascular era paga no valor de R$ 170 pelo SUS.
Nos últimos dias temos ouvido rumores crescentes de políticos recém eleitos clamando pela volta da famigerada CPMF. Pedir a criação de novos impostos ou contribuições é o maior atestado de incompetência e cara de pau que pode dar um político recém eleito. Até porque a arrecadação de impostos no Brasil, depois da derrubada da CPMF, cresceu duas vezes o valor que seria arrecadado com aquela contribuição. E o atendimento na saúde continuou o mesmo ou até piorou. Os governos contabilizam gastos em saneamento e construções como despesas na saúde para cumprir o percentual exigido por lei. O que falta no Brasil não é mais dinheiro para a saúde, é acabar com a safadeza, com a malandragem, é nomear pessoas competentes e sérias para administrar o recurso público. Chega de nomeações partidárias ou pelo sobrenome. É aí que me enche de esperança o que declarou o governador eleito do Paraná, quando afirmou que haverá um “choque de gestão” no serviço público. E a presidenta eleita quando disse no discurso da vitória: “não haverá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito. Serei rígida na defesa do interesse público em todos os níveis do meu governo. Os órgãos de controle e de fiscalização trabalharão com meu respaldo, sem jamais perseguir adversários ou proteger amigos”. Não votei nela, mas se ela realmente fizer isso, terá meu voto na próxima.

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