Arno Kunzler

Campanha antecipada

 

Uma surpreendente informação “inundou” o WhatsApp no fim de semana.

Trata-se de um áudio da prefeita de Mercedes, Cleci Loffi, conversando com um morador de Porto Mendes, em que trata de um pedido de estudos solicitado ao deputado estadual Marcel Micheletto para saber a viabilidade técnica e legal para anexar o distrito rondonense de Porto Mendes ao município de Mercedes.

O assunto, embora não seja novo entre os moradores de Porto Mendes, ainda não havia sido tratado formalmente por uma autoridade, no caso a prefeita de Mercedes e o deputado Micheletto.

O incentivo dado pela prefeita aos moradores para tratar do assunto, chegando a participar de uma reunião em Porto Mendes e procurando o deputado Micheletto, é que surpreendeu as pessoas. Imediatamente começaram as manifestações de apoio e as críticas.

Não faltam motivos para o povo de Porto Mendes estar chateado. Durante anos o distrito teve pouco retorno pelo tanto que representa.

Aliás, não é só Porto Mendes. São praticamente todas as comunidades que acham que contribuem mais do que recebem.

Não é raro ouvir políticos do Paraná dizerem que o Paraná é discriminado pelo governo federal.

Também não é raro ouvir pessoas do Oeste do Paraná dizer que a região é discriminada em relação ao Estado.

E assim, se formos visitar qualquer bairro ou qualquer distrito de qualquer município, vamos ouvir o mesmo discurso. Gente insatisfeita e querendo encontrar um jeito de se fazer ouvir.

Essa proposição de uma localidade ameaçar mudar de município – que alguns consideram uma espécie de “chantagem” – é comum.

Todavia, dificilmente logrará êxito, justamente porque as autoridades, já prevendo esses movimentos, criaram regras difíceis de serem cumpridas.

Caso contrário, toda hora teríamos um plebiscito de comunidades insatisfeitas com o atendimento querendo mudar para outro município.

E no caso de Porto Mendes, a lógica sempre vai indicar que o movimento é por causa dos royalties.

Por se tratar da região responsável pela arrecadação dos royalties, não há dúvida que gera esse sentimento de alguns moradores do distrito e também atrai ainda mais o interesse de quem poderia anexar esse território.

Logo, a discussão sobre os royalties serve de gasolina para aumentar o incêndio.

Por outro lado, os dois municípios vivem realidades distintas.

Enquanto o prefeito Marcio Rauber deve ser candidato à reeleição em 2020, Cleci Loffi é potencialmente cotada como candidata a deputada estadual em 2022, já que termina seu segundo mandato em 2020.

Esse assunto, para ambos os prefeitos, antecipa a discussão eleitoral, para o bem ou para o mal.

O prefeito que souber tirar proveito desse evento dará passos firmes em direção ao seu próximo objetivo político.

 

O autor é jornalista e diretor do Jornal O Presente e da Editora Amigos da Natureza

arno@opresente.com.br

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