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Arno Kunzler

Campanha rasteira

A campanha que os políticos vêm articulando cuidadosamente, para que o Ministério Público (MP) e juízes de primeira instância tenham menor poder para condená-los, é, na maioria das vezes, de interesse próprio, descabida e inoportuna.

Pode-se contar nos dedos das mãos os excessos cometidos pelas investigações contra corruptos, mas pode-se contabilizar milhares de casos de corruptos que impunemente frequentam os altos escalões da República.

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Graças à Operação Lava Jato o Brasil viu seus primeiros criminosos de colarinho branco sendo levados aos tribunais e condenados a cumprir pena.

Sem a Lava Jato e outras forças-tarefas do MP certamente ouviremos falar bem menos de corrupção. Não que ela terá diminuído, mas porque os corruptos estarão fora do alcance.

A campanha feita para desestabilizar a confiança no trabalho prestado pelo juiz Sérgio Moro tem o mesmo objetivo.

Os políticos de Brasília, desde lulistas a bolsonaristas, quase todos na mira das investigações, estão mais do que nunca unidos para se proteger, para proteger os seus aliados.

Não há dúvida que estamos vivendo tempos sombrios em Brasília e o que mais assusta são as tentativas claras, visíveis e constantes de diminuir a autoridade dos promotores e juízes independentes, que são os da primeira instância.

Ficaremos nas mãos dos Tribunais nomeados pelos políticos e que, em muitos casos, atuarão de acordo com os interesses de quem os nomeou.

Se os brasileiros não acordarem e iniciarem pressão sobre os políticos, certamente as leis que facilitaram as investigações e condenação dos próprios serão todas revogadas.

Acontece que todas as forças políticas estão unidas pelo mesmo objetivo: a impunidade de seus pares.

A Lava Jato já perdeu admiração de muitas pessoas por brigas e disputas políticas. Bolsonaro x Moro e Moro x Lula.

Mas ela não pode ser desmantelada pelos políticos com interesse próprio, que, infelizmente, parecem ser maioria no Congresso.

Lamentavelmente dentro dos governos, de todos os níveis, também habitam muitos mal-intencionados.

O combate à corrupção precisa continuar e precisa ser implacável para inibir os corruptos.

Sem legislação que favoreça as investigações e a condenação dos envolvidos, o Brasil infelizmente voltará a ser o paraíso dos políticos e empresários corruptos.

 

Arno Kunzler é jornalista e diretor do Jornal O Presente e da Editora Amigos

arno@opresente.com.br

 

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