Silvana Nardello Nasihgil

Cautela num momento frágil faz toda a diferença

Hoje encontrei uma pessoa que há muito não via. Estava triste e indignada por vivenciar momentos os quais achou absurdos e desnecessários.

Pediu que eu escrevesse a respeito por acreditar que muitas pessoas podem passar por situações semelhantes e ficarem sem saber como proceder.

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O que me moveu a escrever foi por saber que realmente muitas pessoas vivem situações parecidas e no desespero do momento não encontram forças para pensar e agir.

Quando uma doença grave é descoberta, o mundo desaba, a pessoa fica sem chão e toda a família e amigos sentem a impotência de um momento tão delicado.

O que fazer em uma situação assim?

Primeiramente, é prudente buscar sempre uma segunda avaliação, de um médico ou uma equipe para poder compreender sobre a doença e ter maior segurança sobre o grau de gravidade.

No transcorrer desse processo, buscar sem pestanejar ajuda profissional para auxiliar nas angústias e na acomodação das mesmas, nesse caso um(a) psicólogo(a). Palavras da minha amiga, endossadas por mim.

É do humano que mora em nós termos como impulso em momentos assim os piores pensamentos. Passamos a esquecer que existem milhares de possibilidades para a reparação ou até mesmo a cura de muitas doenças que são vistas como fatais.

Então, ninguém precisa assinar uma sentença sem antes se inteirar daquilo que é novo e desconhecido.

Uma pessoa que consegue equilibrar os seus sentimentos e compreender mais a respeito da doença cria resistências para enfrentar com mais coragem e determinação o tratamento. Isso sem dúvida será de grande importância e auxílio na condução daquilo que terá que enfrentar.

Vejo diagnósticos dados por um único profissional, que, por sua conta e risco, leva de imediato a procedimentos radicais, sendo que a vida passa a ser vista como algo irreparável e sem solução. Não é muito desse jeito que se resolve, porque um profissional despreparado pode realmente conduzir o paciente ao abandono de si. Um profissional desumanizado pode indicar as consequências dramáticas da doença e do tratamento sem buscar olhar o ser humano, seus sentimentos e fragilidades.

Ninguém pode afirmar um prognóstico crendo que ele se cumprirá. Por mais que a medicina aponte o desenrolar de uma doença, muito pode existir sobre o paciente e o seu organismo que é desconhecido. Então, muita cautela num momento assim frágil, fará toda a diferença.

Esse assunto é algo que ninguém gosta de falar porque assusta e angustia, mas é necessário refletirmos para buscarmos as atitudes mais corretas (dentro da medicina) com menos danos emocionais e psicológicos.

Do primeiro diagnóstico até a morte existe um caminho a ser seguido. Nele, com a medicina tão moderna, existem muitas possibilidades de acertos. Sei que muita gente conhece casos em que a medicina deu por encerrada a sua capacidade de reversão e o paciente viveu pra testemunhar que quem conhece sobre a nossa finitude é só Deus.

O texto é para refletirmos o quanto o desespero pode ser prejudicial em um momento em que precisamos decidir sobre as coisas mais graves das nossas vidas, o quanto esquecemos que um exame positivo não é uma sentença de morte e o quanto devemos cuidar para não permitirmos que se perca as esperanças.

 

Psicóloga clínica com formação em terapia de casal e familiar (CRP – 08/21393)

silnn.adv@gmail.com

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