2º Agita Rondon – 2019
Elio Migliorança

CHOQUE DE MORALIDADE

Dois temas polêmicos na semana geraram frustração e raiva. Primeiro um número gigante: 1,56%. É a diferença entre a proposta do governo e o que a Câmara dos Deputados aprovou para aumento aos aposentados. Parece piada de mau gosto, mas não, é a pura realidade. O projeto do governo concedia 6,14% e os deputados aprovaram 7,7%. Enquanto isso o governo prometeu 400 milhões de dólares para construir uma linha de transmissão de energia até Assunção no Paraguai, vai aumentar o valor pago pela energia de Itaipu, construída pelo Brasil diga-se de passagem, para mais de 300 milhões de dólares, vai emprestar mais de 1 bilhão de dólares para Cuba, e agora estaremos enviando 286 milhões de dólares ao FMI para ajudar a conter a crise na Grécia. Mas aqui o governo anuncia o “fim do mundo” se os aposentados tiverem 1,56% a mais de aumento. Eles que ajudaram a construir este país e esperavam ter uma velhice tranquila e um fim de vida digno.
A aposentadoria devia manter o poder aquisitivo de quando foi concedida. Não importa se um, dois ou dez salários-mínimos. Quem contribuiu tem direito. O governo que combata a corrupção, diminua as aposentadorias nos altos escalões da República, assuma sua responsabilidade e pare de tirar o pão da mesa de quem dedicou sua vida ao trabalho e acreditou nas leis do país.
O segundo tema é o projeto “ficha limpa”. Mais de um milhão e meio de assinaturas e os deputados deturparam de tal forma o projeto inicial que acabará beneficiando corruptos, ladrões, quadrilheiros & Cia. Ltda, cobrindo a todos com um manto de pureza angelical. Se o tal projeto não vai dar em nada, então precisamos nós de um choque de moralidade. Todos. A começar pelos eleitores que vendem seu voto, criando assim o primeiro elo da corrupção. Não devia ser necessário um projeto de lei para que o eleitor tivesse vergonha na cara e não votasse em candidato condenado pela Justiça.
O segundo elo da corrupção está com as empresas que aceitam pagar propina para funcionários públicos nos negócios envolvendo o Poder Público, seja nas compras ou realização de obras. É uma prostituição moral e ética tanto do político que pede propina quanto do empresário que aceita pagar. Não importa se o valor é maior ou menor. Roubo é roubo e pronto.
O terceiro elo da corrupção é do presidente, dos governadores e prefeitos quando chantageiam o Legislativo, só liberando recursos para o parlamentar que vota com o governo. O eleitor exige, o deputado, senador ou vereador vota com o governo para ganhar recursos. O eleitor precisa criar vergonha na cara e votar com dignidade sem se prostituir vendendo seu voto.
A frase da semana ficou por conta da nota oficial da Assembleia Legislativa, dizendo que a ação da Justiça com o mandado de busca e apreensão de documentos “é um claro atentado à democracia”. Claro atentado à democracia foi o assalto que a quadrilha instalada na Assembleia Legislativa praticou durante 20 anos. Mas só os funcionários serão punidos? Afinal, o Tribunal de Contas estava onde este tempo todo que não viu isso? 

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