Editorial

Com foco, para não ter focos

Foi confirmada a segunda morte em Marechal Cândido Rondon provocada pela dengue neste ano endêmico. O município entrou em estado de epidemia, com mais de 160 casos confirmados da doença. Na região, há municípios que estão em estado ainda pior, ostentando índices alarmantes de descaso contra os criadouros que se multiplicam de todas as formas. O transmissor é o mosquito Aedes aegypti, mas todo mundo já sabe disso, apesar de não parecer.

Todo ano é a mesma história, com mais ou menos intensidade. Sabe-se que o Brasil, por ser um país tropical e subtropical, no caso da região Sul, tem que conviver com esse tipo de problema, pois o clima por aqui favorece a proliferação do mosquito. Mas se todo ano é a mesma história e todos sabem que o mosquito vai aparecer uma hora ou outra, por que nada é feito?

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Talvez porque a dengue é subestimada, ou ainda porque um caso nunca apareceu na sua casa, ou ainda porque a população não ajuda a contento o Poder Público nas ações de prevenção, levando a sério um tema que exige muita responsabilidade.

Os focos da larva, que depois cria asinhas e vai picar as pessoas, se multiplicam em todos os cantos de Marechal Cândido Rondon. Nas ruas, nos quintais, nas varandas, na escola e até mesmo dentro de casa.

Um problema que tem revoltado a população nos últimos dias e que possivelmente tenha contribuído para o aumento no número de casos é o acúmulo de lixo e entulho nas ruas rondonenses. A destinação inadequada de móveis, pedaços de pau, tecidos, ferro e outras tantas quinquilharias se acumulam em diversos pontos da cidade. Quando da realização de arrastões, ok! Pois nesse caso a prefeitura orienta os moradores a juntar os entulhos que podem servir de criadouros do mosquito e deixá-los em frente das moradias. Contudo, há aqueles que jogam quando bem entendem, aleatoriamente, e nem sempre a prefeitura consegue recolher, tamanha a demanda.

Nos terrenos baldios e abarrotados de mato o perigo também se acoberta. Sejam públicos ou privados, esses locais, onde quase ninguém põe o pé, onde quase ninguém sabe o que lá se esconde, são ricos em lixos, como tampinhas, sacolas plásticas e outros tantos “lixinhos” que são ideais para o mosquito se multiplicar. A cidade, nessa época do ano, precisa estar mais limpa do que nunca, seja nas ruas ou nas casas. Às pessoas cabe a obrigação de zelar pelos locais onde moram e trabalham. À Prefeitura de Marechal Cândido Rondon cabe zelar pelos seus locais e pelos espaços públicos.

Quantas mortes ainda serão necessárias, quantos casos de dengue terão que ser confirmados para que a população tome ciência do quão grave é esse problema. O município vive uma epidemia, com riscos iminentes a ricos e pobres, crianças, adultos e idosos, mas especialmente àqueles que têm a saúde fragilizada por qualquer motivo. Nesses casos, quase sempre a dengue é letal. Está mais do que na hora de agir com firmeza. Com foco, para não ter focos.

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