Copagril
Tarcísio Vanderlinde

Comida boa na mesa

Tenho acompanhado o trabalho do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (Capa) desde os anos de 1990. Em 2004 defendi tese sobre o trabalho desta entidade. O Capa tem se esmerado em possibilitar dignidade aos pequenos agricultores pela via da agroecologia. No tempo presente, a Unioeste continua como parceira em diversas atividades desenvolvidas pelo Capa.

Saber o que se come, normalmente preocupa a maioria das pessoas. O interesse ainda aumenta quando se constata que o Brasil é hoje campeão mundial no uso de agrotóxicos. O uso irracional da terra, além de nos trazer doenças, já tornou completamente comprometidas extensas áreas do planeta.

Casa do Eletricista folha LORENZETTI

Existem estudos desde os anos de 1950 que associam o uso de agrotóxicos a inúmeras doenças, principalmente a vários tipos de câncer. A depressão, que pode levar a extremos como o suicídio, também pode estar associada ao uso de venenos na agricultura.

Quando se fala nos altos negócios envolvidos com a terra, normalmente se omite a palavra “agrotóxico”, palavra esta, que passou a ter nos últimos anos uma conotação cada vez mais negativa. Um importante senador da República tentou banir sem sucesso esta expressão que já carrega nela própria o que é capaz de fazer.

Por isso, a campanha promovida pelo Capa, e que se intitula “Comida boa na mesa”, deve ser saudada por todos os que se interessam por sua saúde pessoal. Trata-se de uma reflexão permanente sobre o acesso à alimentação saudável. Envolve o papel da agricultura familiar na produção de alimentos, de feiras e cooperativas na promoção do comércio justo e solidário e das organizações de apoio.

Um pouco da história do Capa pode ser acessada no seu site ou em folders que objetivam dar visibilidade permanente à campanha. Trata-se de uma organização da sociedade civil, que atua no campo da soberania e segurança alimentar e nutricional. Trabalha para o fortalecimento da agricultura familiar ecológica e suas organizações, com ênfase na produção, agroindustrialização, distribuição e acesso a alimentos saudáveis.

Criado em 1978 no âmbito de uma modernização agrícola que impactou milhares de pequenos agricultores, o Capa traduz-se num gesto concreto da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), na construção de um país democrático, que assegure o direito à alimentação saudável para todas as pessoas.

A entidade faz parte da Rede Ecovida de Agroecologia desde sua criação. A rede tem como objetivo promover a agroecologia, para que esta ser torne cada vez mais praticada na agricultura familiar e reconhecida pela sociedade em geral.

A certificação Participativa é um dos muitos serviços oferecidos pela Ecovida, com ênfase na horizontalidade, no poder compartilhado, na transparência e na troca de conhecimento: ideais que movem as pessoas comprometidas com a causa.

Com cinco núcleos de atuação localizados nos municípios de Santa Cruz do Sul, Pelotas, Erexim, Marechal Cândido Rondon e Verê, o Capa se faz presente em 79 municípios da região Sul do Brasil.

Acrescente-se ainda a atuação da entidade junto a famílias agricultoras, comunidades quilombolas, indígenas e urbanas, com protagonismo e empoderamento de mulheres, homens e juventudes. O Capa trabalha com uma visão holística onde se procura respeitar as diversas dimensões que costumam envolver os agricultores que lidam com agricultura ecológica.

 

Professor na Unioeste

tarcisiovanderlinde@gmail.com

TOPO