Copagril – Sou agro com orgulho
Dom João Carlos Seneme

Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais

Estamos no 33º Domingo do Tempo Comum, às vésperas de concluir o Ano Litúrgico e iniciar um novo ano que certamente será cheio de esperança e realizações. A certeza que temos é que Deus caminha conosco e nos ajuda a seguir pressurosos para a casa do Pai.

São Mateus nos apresenta a Parábola dos Talentos. Um patrão vai viajar e confia talentos aos seus servos. O talento na linguagem bíblica indica uma fortuna incalculável. Eles deverão administrar a fortuna segundo suas possibilidades, porém com responsabilidade e criatividade. Três servos recebem os talentos para administrar e prestar contas. O primeiro e o segundo trabalham duro e fazem frutificar a riqueza recebida usando a criatividade e arriscando a própria vida. No entanto, o terceiro servo, “mau e preguiçoso”, tem uma imagem falsa do patrão. O medo o paralisa e o faz agir desajeitadamente, sem correr qualquer risco. Deste modo, prefere enterrar o talento que recebeu.

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A fuga da responsabilidade é o caminho escolhido pelo servo “inútil”; é uma estratégia inspirada pelo medo e preguiça. “Fiquei com medo e escondi o teu talento no chão”.

A falta de amor e compromisso com a realidade faz com que muitos cristãos, desiludidos e oprimidos pela intolerância das situações, procurem se refugiar em um espiritualismo sem compromisso e sem convicção. A parábola mostra que a ética do cristão é a ética da responsabilidade que nasce não da sede de poder ou vontade sucesso, mas é fruto da confiança serena que nos ajuda a preparar o encontro com Deus e quando lá chegarmos teremos as mãos cheias para oferecer.

Talvez não seja sem sentido que o servo acomodado tenha recebido somente um talento. Aqui nos deparamos com a primeira leitura que elogiava a sabedoria que se revela no cotidiano, nas pequenas coisas que estão ao alcance. De fato, sempre temos poucos recursos e a fidelidade não é medida pela grandiosidade dos projetos, mas pela disponibilidade em frutificar o pouco que temos nas nossas mãos.

Fico pensando neste último servo que, cheio de medo, enterrou seu talento. Desta maneira, inutilizou o dom recebido. Foi motivado, em boa parte, pela imagem que tinha do seu patrão. Este homem, por sua falta total de confiança, ficou paralisado. A imagem que tinha de Deus era aquela de uma autoridade implacável, sem amor, e isto o enfraqueceu. Esta paralisia interior desencadeou o medo de arriscar, de viver, de se lançar. Preferiu ficar fora, como espectador. Por isso, se tornou indigno, porque não foi capaz de interpretar corretamente a dinâmica do dom que recebeu.

O evangelho indica que tipo de servo Deus deseja: aquele que tomou consciência do dom recebido e não mediu esforços para torná-lo conhecido por todos. Senhor, ajuda-nos a ser um servo bom e fiel que aproveita cada oportunidade da vida para fazer frutificar os dons que recebemos de tua bondade. Amém!

O final do Ano Litúrgico é uma boa oportunidade para rever nossa vida e fazer uma lista dos talentos que Deus nos concedeu e prestar atenção naqueles que não utilizamos e enterramos.

 

O autor é bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

 

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