Dom João Carlos Seneme

Como meu Pai me ama, assim também vos amo

No texto do Evangelho deste domingo (06), somos conduzidos ao Cenáculo, onde podemos ouvir o mandamento novo de Jesus. Neste encontro ele revela a sua vontade e deixa o seu único mandamento: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. E, tendo como pano de fundo o sacrifício da cruz, acrescenta: “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida pelos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que vos mando”. Aqui está o conteúdo de toda a mensagem de Jesus, toda sua vida e ações. Sua vida é doada para que tenhamos vida em abundância.

Permanecer em Jesus, a verdadeira videira, é o único caminho da salvação. Só conseguirá amar como Jesus amou quem permanece nele e guarda seus mandamentos. A vida de Jesus só tem sentido em comunhão com o Pai, na fidelidade constante a Deus dedicou toda a sua vida a amar. Se Deus é amor e Jesus é um com Deus, sua vida é uma vida de entrega.

Portanto, os ramos só terão vida se permanecerem no amor de Jesus, porque Jesus não falha em sua fidelidade ao amor de Deus. Jesus quer repetir com os seus, com sua comunidade, o que Deus fez com ele. Jesus sente que Deus o ama sempre (porque Deus é amor) e uma comunidade não pode ser nada senão se fundamenta no amor sem medida: dando a vida pelos outros. Deus vive porque ama; senão amasse, Deus não existiria. Jesus é o Senhor da comunidade, porque seu domínio se fundamenta no amor. A comunidade produzirá muitos frutos se praticar o amor, o perdão, a misericórdia entre os irmãos. Esse é o que nos distingue como filhos e filhas de Deus.

Vivemos em um mundo fragmentado, que, em muitas situações, exclui e divide as pessoas. Tais rupturas ocorrem em todas as áreas de nossa vida: política, religiosa, eclesial, familiar. Deus nos fez únicos e nos querer salvar assim; “Eu vim reunir todos os que estavam perdidos”. E realmente Jesus realizou seu projeto: fomos salvos com sua morte e ressurreição. Ele nos escolheu e amou primeiro, nos reuniu em comunidade e nos deixou a missão de chamar todas as pessoas a colocar Jesus no centro de suas vidas. Só assim poderemos construir um mundo bom, fraterno, onde todos serão um com Deus.

Não podemos nos contentar com o ritmo desumanizante que está ao nosso redor. Somos os “amigos” de Jesus. Nossa missão é aceitar o convite que ele nos faz: amar um ao outro. Da mesma forma como o Pai comunicou a Jesus seu amor, ele partilha conosco este dom e nos convida a comunicar a todos. Portanto, compete a nós, a comunidade de Jesus, sua Igreja, ajudar a eliminar o sofrimento, o egoísmo, a miséria, a dor, a escravização e anunciar a boa nova da salvação. Deixemo-nos impregnar pela esperança e anunciar a pessoa de Jesus na dimensão que nos ensina o Papa Francisco: “A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria” (Evangelii Gaudium, nº 1).

 

O autor é bispo da Diocese de Toledo

 

revistacristorei@diocesetoledo.org

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