Copagril
Dom João Carlos Seneme

Como o Pai me enviou, também eu vos envio. Recebei o Espírito Santo

Cinquenta dias se passaram desde a ressurreição de Jesus. Domingo passado celebramos a ascensão: Jesus foi elevado ao céu e está sentado à direita do Pai. A vinda do Espírito Santo no dia de Pentecostes é momento de fortalecimento, neste dia o Espírito prometido por Deus desce sobre os que estão reunidos no cenáculo e recebem a força do alto para dar continuidade ao tempo novo iniciado por Jesus.

Na primeira leitura, São Lucas quer revelar o sentimento dos primeiros cristãos quando perderam o medo e se atreveram a sair do cenáculo para anunciar o Reino de Deus como Jesus havia ordenado: “Como Pai me enviou, eu também vos envio. Ide pelo mundo inteiro e pregai a boa nova da salvação”.

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O dia de Pentecostes se torna, então, um marco para indicar uma mudança de vida que vai direcionar a ação da comunidade dos que acreditam no Cristo Ressuscitado. É o dia da “crisma” dos discípulos de Jesus. Torna-se uma experiência extraordinária, decisiva. É o nascimento da Igreja, comunidade de todos que acreditam no Cristo Ressuscitado.

Este dia, Pentecostes, era uma festa importante para os judeus. Primeiramente era uma celebração agrícola, depois de tornou uma festa comemorativa da renovação da Aliança no Sinai, ou seja, neste dia os judeus celebravam a sua identidade como povo de Deus e como nação judaica: reconheciam-se filhos de Deus e se identificavam como nação.

No evangelho de hoje podemos acompanhar a comunidade que nasce do Ressuscitado. As portas fechadas indicam o medo do que acontece lá fora. É uma comunidade marcada pela fragilidade e dúvida. Ela precisa da presença do Senhor. De repente, ele rompe os limites e se põe no meio deles. Os sinais visíveis são a alegria dos discípulos e o dom da paz do Cristo Ressuscitado. Eles sabem que não estão diante de um fantasma, conseguem experimentar sua presença sensível: É Ele, é o verdadeiro mestre que eles haviam seguido, ele possui os sinais (estigmas) do sacrifício de amor por toda a humanidade. O dom do Crucificado/Ressuscitado é a paz e envio em missão.

Por isso Pentecostes é muito mais do que o encerramento de um processo iniciado na Quarta-feira de Cinzas. É o início de uma nova etapa, uma nova comunidade renasce com o “sopro” do Ressuscitado dizendo “Recebam o Espírito Santo” e uma missão nova tem início e o resultado está diante de nossos olhos: a coragem desta primeira comunidade movida pela força do Espírito Santo chegou até nós e devemos continuar este obra que é de Deus e Ele coloca em nossas mãos a sua continuidade com a promessa: “Eu estarei convosco todos os dias”.

Vem, Espírito Santo, faz de nós uma Igreja de portas abertas, coração compassivo e esperança que contagia. Que nada nem ninguém nos distraia e desvie do projeto de Jesus Cristo: fazer um mundo mais justo e digno, mais amável e feliz, construindo o Reino de Deus. Amém.

 

Dom João Carlos Seneme, bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

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