Elio Migliorança

COMPARAÇÕES INEVITÁVEIS

Na recente viagem percorrendo as paisagens cinematográficas das montanhas rochosas no Canadá, conheci um país onde o dinheiro público é aplicado com seriedade e competência e o cidadão é tratado com respeito e dignidade. Durante oito dias um guia local contou-nos a história da colonização do país, seus heróis e suas histórias, e na medida em que íamos conhecendo o país, as comparações com o Brasil eram inevitáveis. Na agricultura somos muito parecidos, pois tanto lá como cá os agricultores foram muito competentes em buscar tecnologia e genética para alcançar altos níveis de produtividade. As diferenças estão apenas no clima e na possibilidade de fazer mais que uma safra por ano. A proximidade com os Estados Unidos e o fato de ter sido o Canadá colonizado pela Inglaterra, berço da revolução industrial, favoreceu o desenvolvimento do país, mas o agricultor brasileiro soube compensar esta diferença alcançando níveis de produção de Primeiro Mundo.

Quando comparamos a infraestrutura rodoviária e ferroviária perdemos de goleada. O asfalto canadense é um tapete negro enquanto no Brasil este tapete está cheio de buracos. Salvam-se aqui as rodovias em que o usuário é sangrado com altos pedágios e mesmo assim há casos em que as rodovias deixam a desejar. Rodamos 1.500 quilômetros na região turística das montanhas rochosas no Canadá e não pagamos nenhum pedágio. O Canadá é o 2º maior país do mundo, enquanto o Brasil é o 5º, portanto, lá as distâncias são maiores, mas aqui o número de contribuintes é maior, ou seja, há mais arrecadação.

No setor ferroviário a diferença é gigantesca. Enquanto o transporte ferroviário é insignificante no Brasil, no Canadá ele é intenso e estratégico. Uma super ferrovia atravessa o país no sentido Leste/Oeste e liga o Atlântico ao Pacífico, transportando as cargas de forma rápida e segura, e com isso ganhando tempo e dinheiro por dispensar o uso e o custo do canal do Panamá para passar do Atlântico para o Pacífico e vice-versa.

E no quesito turismo, a indústria sem chaminés, lembrei das bases náuticas construídas ao longo do Lago de Itaipu em nossa região que podiam ter sido o “pulo do gato” para alavancar o turismo ligado ao esporte e à natureza nesta região. Haviam sido criados os Jogos Mundiais da Natureza, mas a estupidez política e a mente pequena dos governos posteriores assassinaram um projeto que podia acrescentar emprego e renda à economia regional. Digo isso porque grande parte da região visitada nas montanhas rochosas é de pequenas cidades onde há quase mais hotéis do que casas e com turistas do mundo inteiro visitando os palcos de treinamento das modalidades esportivas praticadas na região que é o esqui e snowboard.

Já no quesito gestão responsável e corrupção, não há comparação. Parece que pertencemos a galáxias diferentes. No Canadá as leis são respeitadas, a corrupção é punida com rigor e existe uma cultura de respeito aos direitos dos cidadãos. É animador verificar que em muitas cidades brasileiras esta moda está pegando, e que a cultura da direção defensiva e de respeito ao pedestre vai ganhando terreno. Quem sabe com tanta gente graúda indo pra cadeia, possamos avançar também no quesito “seriedade na administração pública”.

 

 

* O autor é professor em Nova Santa Rosa

 

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