Editorial

Complexo demais

Postagens feitas na página do Facebook de uma escola de Marechal Cândido Rondon deu o que falar nesta semana.Nas mensagens de atividades no âmbito escolar a escrita de algumas palavras, como todxs, queridxs, aluninhxs e professorxs, levam um x no lugar das vogais.

Uma chuva de críticas aconteceu porque, para muitos, tal flexão é uma forma de trazer para a educação o debate relacionado à questão de gênero, um assunto que ainda causa muito bafafá. Ou seja, que a escola estaria, de alguma forma, pelas postagens, levando o tema para o âmbito escolar.

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A direção da escola diz que a iniciativa de usar o x nas postagens na rede social não partiu dela, mas de uma servidora, que se defende das críticas argumentando que o uso da letra x no lugar das flexões com “o” e “a” é apenas uma forma de universalizar a questão, visando um caráter neutro que evite o sexismo e amplie para as diferentes percepções além do binarismo homem-mulher.

Ainda assim, para muitas pessoas, amparadas no argumento de que o uso do “x” é uma prática bastante difundida pela comunidade LGBTQ (Lésbicas, Gays,Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), fazer tal flexão é estimular desde cedo as crianças a serem o que elas quiserem: alunos ou alunas, do gênero que optarem ser.

Estes que criticam, em sua maioria, não se dizem contra à temática, apenas acham que certas abordagens podem ser evitadas em âmbito escolar ou em determinada idade, devendo a criança brincar e aprender aquilo que é pertinente à sua idade e não ser exposta a um tema delicado e complexo como a questão de gênero, o que seria mais adequado ocorrer mais tarde.

Na verdade toda essa situação expõe uma série de facetas. De um lado, pais apreensivos e preocupados, querendo evitar que os filhos sejam expostos precocemente a temas que consideram inadequados para certa idade ou que sejam induzidos a optar por sua sexualidade antes mesmo de ter plena certeza de quem realmente são. De outro, profissionais da Educação que muitas vezes não estão preparados para trabalhar e agir frente a certas situações neste sentido. E de ambos os lados, também, muitos exageros e excessos desnecessários.
Isso tudo mostra a fragilidade do nosso sistema.

Será que os pais e professores estão preparados para tratar com seus filhos e alunos sobre certas temáticas e situações?
Será que os alunos estão preparados para receber certas informações e serem inseridos em um mundo cada vez mais aberto?
Qual é o momento ideal para se tratar sobre certos assuntos?
Será que crianças ou pré-adolescentes estão preparados para saber que eles terão liberdade para no futuro decidir o que irão querer ser?Se vão escolher seguir socialmente o que biologicamente seu corpo determinou ou não?
Será que os professores estão capacitados e preparados para abordar de forma adequada assuntos complexos como a questão de gênero?
Será que o tradicional masculino homem e a feminina mulher estão sendo respeitados nesse cenário de inclusão?
Será que os conservadores não estão sendo muito radicais?
Quem está certo? Quem está errado?
São muitas as perguntas…

A vida em sociedade é cheia de desafios.

O assunto é polêmico e gera interpretações distintas,especialmente para quem é radical em seu ponto de vista.O fato é que o tema merece atenção. O mundo é complexo, os conceitos mudam à velocidade da luz, mas é preciso respeitar a natureza e deixar ela se manifestar antes de questioná-la.

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