Arno Kunzler

Comportamento inadequado?

Talvez seja, provavelmente tenha se exaltado demais durante vários debates que pudemos assistir pela televisão.
Falta compostura, talvez. Destemperado, talvez. Falta educação para responder as perguntas da imprensa, talvez.
O que não lhe falta é vontade de trabalhar. Qualquer outro cidadão, na condição física que se encontra, teria pedido afastamento do cargo para tratamento de saúde.
Ainda mais ganhando o que ganha um presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).
Qualquer outro indivíduo no alto da responsabilidade que carrega e das decisões que toma teria momentos de destempero, de intolerância, de falta de tranquilidade.
O que resta é saber se suas posições são coerentes e encontram ressonância nas pessoas que esperam do Poder Judiciário respostas para os inúmeros problemas que se acumulam nos tribunais, Brasil afora.
Só observar que os desembargadores do Rio de Janeiro (pelo menos alguns) recebem salários maiores do que R$ 500 mil e alegam que isso é legal.
Será que o presidente do Supremo, com um mínimo de sabedoria e conhecimento da realidade, pode conviver com isso sem perder o controle?
Será que Joaquim Barbosa é mesmo uma assombração para os políticos e todos que se locupletam no comando das instituições?
Será que ele, Joaquim Barbosa, apesar das manifestações que revelam um certo descontrole emocional, está praticando um bem para o Brasil e especialmente combatendo os desmandos dentro do Poder Judiciário, sem medo de bater de frente com os que defendem posições e agem em desconformidade com as normas e a orientação do Supremo?
Talvez seja por isso exatamente que sua liderança e sua atuação vêm sendo questionadas tanto.
Talvez…
Não se atira pedras em árvores que não dão frutos.
Quando alguém mexe com os interesses de muitos, e nesse caso são interesses de muitos mesmo, ainda que uma minoria do povo brasileiro, é óbvio que a reação vem e pode até mesmo cair sobre a cabeça do presidente do Supremo.
As forças políticas e as que se locupletam em torno dos interesses políticos são muito maiores do que a boa intenção de um homem, mesmo que ele seja o presidente do Supremo e que tenha o carisma que tem Joaquim Barbosa.
Oxalá ele não desista da sua luta na defesa da punição aos corruptos, na defesa dos interesses de um Judiciário mais interessado em prestar serviços ao país e menos interessado em proteger seus próprios interesses.
Que ele tenha o apoio daqueles que pensam num Brasil melhor e principalmente daqueles que defendem um Judiciário melhor, mais ágil, mais barato e, em muitos casos, possivelmente mais correto.
Não é admissível que um desembargador de um Estado ganhe quase R$ 600 mil de salário e o presidente do Tribunal a que pertence vem a público dizer que isso é legal…
Legal pra quem? Pra eles, mas só pra eles mesmos, porque pra nós, que pagamos impostos e sobrevimos com outro tipo de ganho, isso é mais do que ilegal, é um verdadeiro assalto aos cofres públicos.

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