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Silvana Nardello Nasihgil

Conceitos grosseiros e desumanos

A vida vai fluindo… o tempo vai passando… voando, sem freios e sem piedade. Junto com ele carregamos o peso de ver muita coisa ir embora. Deixamos de ser úteis aos olhos de muitas pessoas e como num passe de mágica aos avessos, ao fazer 60 anos, somos considerados fora do contexto da vida futura. Eu jamais conseguiria imaginar que um número pode definir um ser humano, olhares perversos e julgadores passam a pairar sobre quem não tem mais 59, mas completou 60 anos.

Desde sempre acho terrível quando leio alguma notícia e por despreparo do jornalista este se refere a alguém com mais de 60 anos como idoso. Então a pessoa pela idade deixa de ter identidade e passa a ser o velho, a velha, o idoso, a idosa. É considerada pelo número dos seus anos e não pelo ser humano que é.

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Precisamos urgentemente rever esses conceitos grosseiros e desumanos, os quais colocam as pessoas num patamar de desvalorização, tirando delas o direito de exercer a sabedoria que só a idade pode trazer.

Aos 60 anos um ser humano carrega consigo a sabedoria que muitos espertos pensam ter, carregam lições de vida que se forem levadas em conta têm muito para acrescentar aos que os rodeiam e ao mundo como um todo. Isso deveria ser motivo de respeito e valorização, como são as culturas orientais e árabes, mas na nossa cultura tão despreparada as pessoas com mais de 60 anos são desconsideradas, ultrapassadas e sem utilidade.

É lamentável precisar viver com ideias tão rasas, tão sem fundamento e tão fora da realidade. É triste demais olhar ao redor e ser visto como alguém que não faz mais sentido, que já perdeu o prazo de validade e já pode ir se despedindo da vida.

Nesse embaralhar de conceitos absurdos somos levados sem raciocinar direito, subestimando nossos pais, amigos e todos os que cruzarem o caminho… e deixamos a vida fluir sem buscar compreender que esse olhar nos apequena e desconsidera aquilo que seremos no futuro.

Deus queira que todos cheguem aos 60 anos e sigam muito além, e que aos que lá chegarem, que sejam acolhidos, amados e respeitados por aquilo que foram e por tudo aquilo que ainda poderão ser.

Precisamos rever conceitos, repensar a vida, olhar ao nosso entorno e aprender com aqueles que, sem dúvida, têm muito a ensinar. Quem pretende viver muito e for agraciado com essa benesse, e chegar lá, precisa começar a mudar seu modo de olhar para o outro e enxergá-lo. Se faz necessário que seja agora. É preciso ir preparando esse caminho para não precisar sentir o que por força de conceitos absurdos estão sendo impostos, e dar o direito de ser respeitado e aceito a quem só quer ser feliz e viver em paz.

 

Silvana Nardello Nasihgil é psicóloga clínica (CRP – 08/21393)

silnn.adv@gmail.com

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