Elio Migliorança

CONDOMÍNIO INDEPENDÊNCIA

Um projeto nascido em 2012 é a prova concreta de que as melhores e mais construtivas iniciativas surgem da solidariedade de pessoas motivadas a fazer o bem ao próximo sem levar vantagem e sem promoção pessoal. A iniciativa em abordar o tema e torná-lo público é pessoal, sem conhecimento dos autores do projeto. Certo dia fui abordado por um dos idealizadores que explicou os objetivos do projeto, e a proposta parecia tão idealista que até desconfiei de segundas inten- ções. Aprofundando mais, me convenci que a motivação dos idealizadores era fazer o bem e promover a dignidade de pessoas com menor poder aquisitivo. Não envolve política, religião, raça ou classe social. Entusiasmei-me com a ideia e aceitei o desafio de participar da diretoria desta obra notável.

O projeto consistia em formar um grupo de pessoas para contribuir durante cinco anos e com o dinheiro comprar uma área de terras para dividila em lotes urbanos a serem entregues a cada um no final do projeto. O lote será entregue com toda a infraestrutura, como asfalto, rede de luz, água e galerias pluviais. Nos primeiros 24 meses a parcela foi de R$ 250 mensais, e nos 24 meses seguintes de R$ 300 mensais, parcela esta que vai até maio de 2016. O valor das últimas 12 parcelas a assembleia decide. O grupo tem 250 pessoas, das quais em torno de 150 jamais teriam condições de adquirir um lote em Nova Santa Rosa se considerarmos o padrão de valores praticados por aqui. São assalariados que viram neste projeto a única possibilidade de ser proprietário de um lote urbano. O que me encantou no projeto foi seu alcance social. Os membros da diretoria não recebem nenhuma remuneração pelo seu trabalho, cada um paga sua cota como os demais membros da associação, que não possui fins lucrativos. Todas as decisões são tomadas em assembleia; um estatuto registrado estabelece as regras que são cumpridas rigorosamente. Não há privilégios e nem vantagens para quem quer que seja, cada um possui uma cota e todos terão um lote apenas. A área de terras já foi adquirida num valor aproximado de R$ 2 milhões, o que mostra a magnitude do projeto. Tamanha responsabilidade para esta diretoria, que merece o respeito e aplausos de toda a sociedade. O alcance social é notável, pois ao término do projeto cada um terá pago em torno de R$ 18 mil, sendo que um terreno nas imediações da área adquirida não sai por menos de R$ 60 mil. Destaque especial para a transparência com que é feita a gestão. Todos os associados possuem acesso à conta bancária, na qual podem conferir o saldo; é publicado um balancete mensal e os lotes serão distribuídos por sorteio. Em caso de desistência de alguém, é chamado o próximo da lista de espera, lista esta que hoje tem mais de 800 pessoas, ou seja 11% da população do município espera um novo projeto. Aplausos para os que dedicaram gratuitamente seu tempo, conhecimento e boa vontade para fazer o bem. Na diretoria Valdir Helte, Marcos Vinicius Trentin, Josilene de Freitas Ribeiro, Edelmaris Lasch Fey, Walter Schmidt e William Tiago Sachser, um pequeno grupo para uma grande obra que ficará gravada na vida daqueles que terão um pedaço de chão para morar. É o maior e mais significativo empreendimento imobiliário da história do município. É de exemplos assim que o Brasil precisa.

 

* O autor é professor em Nova Santa Rosa

miglioranza@opcaonet.com.br

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