Copagril
Elio Migliorança

Das coisas absurdas

No país da Lava Jato as notícias voam. Por isso é preciso estar atento para captar tudo e não ser enganado ou prejudicado. Uma das pérolas do absurdo que produz enganação é a fala de Lula numa manifestação pró-governo quando disse: “Essa operação de combate à corrupção é uma necessidade para este país. Eu só acho que vocês deveriam procurar a força-tarefa, o juiz, para saber o que eles estão discutindo sobre quanto essa operação já deu de prejuízo para este país. Será que não dá para combater a corrupção sem fechar as empresas? Já ouvi falar de R$ 200 bilhões, R$ 250 bilhões de prejuízo”, disse Lula.

Culpar o Juiz e os demais heróis da força-tarefa da Lava Jato é uma verdadeira blasfêmia e uma afronta ao bom senso e à nossa inteligência. Os investigadores não fecharam nenhuma empresa, apenas colocaram bandidos graduados na cadeia, que por acaso são donos de grandes empreiteiras no país que roubaram valores na casa dos bilhões, auxiliados pelas quadrilhas instaladas nos maiores cargos na nação. Falta apenas enjaular alguns chefões e aí a missão estará cumprida.

Casa do Eletricista CÂMERAS

Outro absurdo é o assalto aos agricultores paranaenses. Um decreto do governo paranaense em junho de 2015 instituiu a cobrança de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços(ICMS) sobre a energia elétrica nas propriedades rurais. A justificativa foi de que muitas áreas ao redor das cidades são utilizadas para o lazer e não para agricultura e pecuária.

Como os responsáveis da Copel pela leitura dos medidores de consumo de energia visitam as propriedades, ficaria muito mais fácil e menos injusto que eles verificassem se a propriedade é de produção ou se é um recanto de lazer. Mas não, a insensibilidade dos responsáveis pela área julgaram mais prático e lucrativo nivelar tudo por baixo, considerar todos infratores e tributar a todos. A partir do mês de janeiro o terror tomou conta do setor que mais produz e carrega o país nas costas, que é a agricultura, quando nas faturas de energia elétrica em todo o Estado do Paraná apareceram os valores do ICMS lançado.

Diante da reação ao novo assalto ao bolso do produtor, entidades de classe e sindicatos se revoltaram e denunciaram tal absurdo. O Governo do Estado recuou e editou nova medida cancelando o decreto anterior e extinguindo a cobrança. O que ninguém disse é que agora você terá que enfrentar um calvário para conseguir tirar aquele “bode fedorento” que colocaram na sua fatura de energia elétrica.

Precisa ir ao Registro de Imóveis tirar certidão atualizada da propriedade, isso custa tempo e dinheiro, juntar cópias do cadastro no Incra, identidade, COF, cadastro do produtor rural e depois de conseguir tudo isso, apresentar-se ao escritório da Copel para requerer a exclusão da cobrança. Enquanto isso não for homologado você continua pagando ninguém sabe até quando.

E ninguém informou se os valores pagos serão devolvidos ou teremos que entrar com um processo na Justiça para ser ressarcidos pela indevida cobrança. Desgraça pouca é bobagem, não basta você depender da chuva para produzir, lutar contra o fede-fede, lagarta, pulgão, ferrugem, mosca branca e oídio, agora temos uma sanguessuga que vai na veia do agricultor e lhe suga o fruto do trabalho que custou suor e sangue.

Esperamos que nossos deputados ajudem a corrigir esta injustiça devolvendo-nos o fruto do nosso trabalho.

 

Professor em Nova Santa Rosa

 

miglioranza@opcaonet.com.br

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