Copagril – Sou agro com orgulho
Tarcísio Vanderlinde

De defensor da fé a semeador de dúvidas

A obra de Flávio Josefo foi vista pelos teólogos Orígenes de Alexandria (185-253) e Eusébio Jerônimo (347-420) como complemento do Novo Testamento. Jerônimo é mais conhecido por ter traduzido a Bíblia para o latim.

Alguns fragmentos da obra de Josefo são mais notórios, como a tomada de Massada e o cerco de Jerusalém. Entretanto, a obra é muito rica em outras informações sobre o período do Antigo Testamento e a história do início da era apostólica. O título do artigo revela como o historiador é visto entre críticos depreciadores ou ardorosos admiradores.

Casa do Eletricista – BOBCAT

Dúvidas quanto à tradução e à credibilidade dos escritos estão entre os problemas mais comuns na abordagem de textos antigos. O historiador medievalista Carlo Ginzburg, autor de “O queijo e os vermes”, nos dá alguma tranquilidade sobre o quesito credibilidade em Flávio Josefo.

Ele observa que no caso de Josefo, narrativas fabulosas, contradições e erros mesclam-se com dados preciosos, que denotam conhecimentos profundos da história e das tradições judaicas e que a arqueologia moderna vem comprovando de maneira, às vezes, surpreendente.

Ginzburg é enfático ao afirmar que a obra de Flávio Josefo, ainda hoje, não é só um repositório literário, um clássico da historiografia antiga, como um dos principais anais do passado de Israel.

Yossef ben Matitiahu – nome hebraico de Flávio Josefo – foi um dos líderes da 1ª Revolta Judaica contra o Império Romano. Viveu no primeiro século, aproximadamente de 38 ao ano 100. Terminou seus dias em Roma, onde adotou o nome pelo qual acabou sendo mais conhecido. Lá escreveria a história e apologia da nação judaica, além de uma autobiografia que acabaria por torná-lo suspeito aos olhos tanto de seus correligionários quanto aos dos romanos.

Entre os críticos pairam dúvidas sobre a atitude de Josefo ao se render de uma forma um tanto obscura aos romanos após cerco de 47 dias à fortaleza de Jotapata, na Galileia, em 67. Ao término do cerco acabou atraindo as graças de Tito e Vespasiano, generais romanos conquistadores de Israel à época. Adquiriu cidadania romana, romanizou o nome e teve um bom tempo de vida para escrever.

Sob o ponto de vista de muitos dos seus compatriotas, para ser considerado um herói, Josefo teria que ter morrido em Jotapata, e não precisaria ter escrito nada. É sobre este curioso historiador descendente da classe sacerdotal judaica que se pretende dedicar, a partir deste, alguns escritos nesta coluna.

 

O autor é professor sênior da Unioeste

tarcisiovanderlinde@gmail.com

TOPO