Editorial

De olho no perigo

O ciclismo absolutamente é um esporte que tem ganhado cada vez mais adeptos em Marechal Cândido Rondon, assim como em todo o Brasil. A “moda” ganhou ainda mais seguidores com o início da pandemia. Por ser um esporte individual, sem contato com outras pessoas e, teoricamente, respeitando o distanciamento social, mais e mais rondonenses partiram para os pedais. Os eventos de cicloturismo promovidos nos municípios são verdadeiros sucessos de público, com mais de mil participantes, como foi o caso na última etapa realizada em Marechal Cândido Rondon.

A prática do ciclismo é saudável, gostosa, mas pode também ser muito perigosa. Nos últimos meses, diversos acidentes com ciclistas foram registrados na região Oeste do Paraná. Em Medianeira, uma esportista morreu após cair na frente de uma caçamba que passava em sentido contrário em uma estrada de terra. Em Marechal Cândido Rondon, um homem se envolveu em um atropelamento há poucas semanas, ficou em estado grave e segue internado no hospital.

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O ciclismo ganha contornos ainda mais perigosos quando é praticado à noite. E essa tem sido uma corrente crescente e cada vez mais comum em Marechal Rondon. Perigo porque os equipamentos de segurança para a realização dos pedais noturnos são frágeis. Notadamente as lanternas que teriam que iluminar o caminho dos atletas são extremamente sensíveis, ou seja, não iluminam o suficiente. Em velocidades médias e altas, o ciclista certamente tem seu campo de visão diminuído, comprometido. Eles podem até ser vistos, mas pouco veem.

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Nied maio 2022 X

Outra prática perigosa é o aglomerado de ciclistas que transitam nas rodovias da região, especialmente em feriados e fins de semana. Vários vídeos mostram que, muitas vezes, os atletas invadem as pistas, em certas ocasiões até dois lados, dividindo o mesmo espaço com motoristas de carros e caminhões. Ressaltando, não são todos, mas alguns fazem isso, muitas vezes até pela limitação das rodovias, que nem sempre oferecem as condições ideais para o tráfego dos ciclistas.

É um bom momento para refletir sobre a segurança de ciclistas e outros atores do trânsito. Criar uma regulamentação para a prática, orientações, cartilhas de recomendação sobre cuidados básicos ou outra ferramenta seria importante para preservar a vida e a integridade física das pessoas. Mais que o Código Brasileiro de Trânsito, essa classe precisa saber quais os riscos que a atividade oferece e quais os hábitos e equipamentos necessários para reduzir ao mínimo esses riscos. As associações de ciclistas, as autoridades públicas e a sociedade civil deveriam trabalhar para que esses acidentes não mais ocorram.

Tudo que é “novo” traz consigo a necessidade de adaptações. Lapidando aqui e ali, com diálogo franco e vontade de preservar a vida, é possível fazer que essa prática, que ganha cada vez mais adeptos, seja também cada vez mais segura.

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