Editorial

Desafio dos tempos atuais

Buscamos pensar e falar de outros assuntos, mas o novo coronavírus segue como protagonista das conversas e pensamentos.

Não está sendo fácil, para qualquer pessoa que seja, empresário, funcionário, integrantes do grupo de risco ou cidadãos em geral, uma vez que os efeitos da crise gerada em função desta doença afetam todos de alguma maneira. Então, quando menos se quer, lá estamos novamente pensando neste cenário de restrições, cuidados, incertezas e preocupações.

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Uma coisa já percebemos: mesmo em um momento delicado para todos, a intolerância segue forte.

Desde as duas últimas eleições presidenciais esse tipo de postura é bastante evidente. As divisões político-partidárias, principalmente, encaminharam os brasileiros para um cenário onde a tolerância é cada vez mais próxima de zero. E isso respinga e vale para muitos outros setores. Há intolerância para tudo, além da política: religião, futebol… e por aí vai.

Até mesmo agora, nestes tempos de insegurança devido à Covid-19, este sentimento tem imperado. Se você é a favor do fim do isolamento social, é criticado duramente. Se você é contra o isolamento social, também é criticado.

É por isso que muitas pessoas, muitas vezes, se sentem inseguras em se manifestar, expor suas opiniões, temendo serem mal interpretadas, retaliadas e xingadas escancaradamente. Nas redes sociais isso se tornou comum. Então, não é questão de ficar em cima do muro, é questão, em muitas ocasiões, de se precaver de desfechos desagradáveis, que nada acrescentam. Pelo contrário, só desgastam.

Conviver com divergências é um desafio dos tempos atuais.

A intolerância não é algo ruim. Ela tem seu lado positivo. Por exemplo, não tolerar corrupção, mentiras, injustiça, desigualdade e coisas afins faz parte de um movimento em favor da sociedade. Agora, quando a falta de tolerância encontra o lado negro da força, quando se fixa na negação da existência do outro, quando falta a capacidade de lidar com diferentes modos de pensar, aí, sim, tudo se complica.

Outra coisa perceptível nestes tempos de enfrentamento e prevenção ao avanço da Covid-19: a política, ou melhor, os políticos não dão trégua. Em um momento de imprevistos, de dificuldades, de dúvidas, como o atual, há muitos querendo o já conhecido “quanto pior, melhor” porque estão pensando apenas nos futuros cenários políticos. Há muitos querendo tirar proveito de certas situações, há muitos plantando discórdia também baseados na politicagem, e não na seriedade que o momento pede.

É triste acompanhar certas coisas. O desenrolar de fatos. Observar e perceber até aonde vai a obsessão pelo poder. Ver o caráter de muitos sendo relevado pelo “espelho” da Covid-19. Nem máscaras resolvem, neste caso. Poderia ser diferente. É verdade.

Ao menos, de tudo isso, já podemos, particularmente, tirar lições positivas desses tempos difíceis.

Que devemos nos preocupar mais uns com os outros. A pandemia está nos mostrando que devemos cuidar de nós, mas, também dos outros, do contrário, não haverá efeito. Com isso, podemos exercitar mais a solidariedade e a gentileza.

Que devemos valorizar mais os momentos especiais. O isolamento forçado ou o afastamento de pessoas que amamos, tão somente para preservá-las, mostra que na maioria das vezes não damos o devido valor aos pequenos gestos e momentos ao lado da família, quando estamos envolvidos na loucura desenfreada do dia a dia.

Que devemos cuidar da nossa saúde o ano inteiro e não somente em tempos de pandemia. Ganhar imunidade não vem com o estalar dos dedos. Saúde é investimento diário; conquista-se com o tempo.

Que devemos cuidar mais da nossa higiene pessoal. Ela pode ajudar a evitar tantas coisas, inclusive salvar vidas. Portanto, não pode ser deixada de lado.

O momento atual nos leva a muitas observações, lamentações, preocupações, angústias, incertezas, mas, também, serve de inspiração para novos hábitos, novos valores e novos sentimentos. No final, é isso que importa!

 

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