Copagril
Editorial

Descaso e a força popular

02 de setembro. Esse foi o dia em que as primeiras manchas de óleo chegaram às praias do Nordeste brasileiro. Mais de duas centenas de pontos com a presença do óleo foram avistados desde então e até agora. No entanto, parece que o governo federal, os governos estaduais e as Organizações Não Governamentais (ONGs) em defesa do meio ambiente não estão tomando medidas suficientes e necessárias para limpar as praias, para descobrir de onde essas manchas partiram e quando elas vão cessar. Parece inércia, não: é. O resultado é claro: a população começou a fazer com suas próprias mãos.

Sem equipamentos de proteção adequados e expostos aos riscos que esse material causa à saúde humana, as pessoas estão promovendo mutirões para tirar o óleo da água, da areia e tentar salvar animais marinhos que chegam praticamente fadados à morte na costa brasileira. Ibama, ICMBio, Marinha e outras instituições também estão trabalhando, mas notoriamente os esforços são insuficientes diante do cenário atual. Essa falta de entusiasmo para dar cabo ao problema mostra como o Brasil trata suas demandas com letargia.

Casa do Eletricista folha LORENZETTI

As praias do Nordeste do Brasil são o ganha-pão de milhões de pessoas. Pescadores, trabalhadores da rede hoteleira, guias turísticos, donos de bares e restaurantes, artesãos e outros tantos profissionais dependem do turismo, que tem seu pilar encravado exatamente na beleza de suas praias. Sem poder ofertar o que eles têm de melhor, muitos infortúnios podem acontecer, como o desemprego.

Seria conveniente e racional tratar esse problema com mais seriedade e celeridade. Deixar que a população brasileira se exponha a riscos e faça o serviço sujo é mais que uma irresponsabilidade, é a demonstração de que as instituições públicas e as ONGs falham feio na hora do vamos ver. Os discursos são lindos, as propagandas emocionantes, mas quando a bola rola ela parece mais uma batata quente. Pior: poucos aparecem para jogar.

Já se passaram 50 dias desde o início do aparecimento das manchas e até hoje ninguém foi responsabilizado. Desde então, só especulações.

Além do dano social, que pode e deve impactar na economia, há o dano ambiental. Animais, como tartarugas marinhas e peixes, estão morrendo. Corais também sofrem seus efeitos, assim como importantes rios daquela região. Parece que as ONGs financiadas para a defesa do meio ambiente ficaram presas na região da Mata Amazônica.

Só mesmo a população civil brasileira parece estar realmente interessada em limpar toda essa sujeira. O que está se fazendo é muito pouco pelo estrago exponencial que esse derramamento de óleo pode causar. Os prejuízos já são enormes, e essa falta de ação pode potencializá-los.

É preciso botar a mão na massa e fazer a coisa acontecer. As instituições precisam se mobilizar para ter mais efetividade sobre esse episódio. Por enquanto, o que se tira de bom nisso tudo é saber que o melhor do Brasil (ainda) é o brasileiro.

TOPO