Copagril – Sou agro com orgulho
Arno Kunzler

Desgaste político

Não há como negar que a CPI da Covid vai gerar um imenso desgaste político.

Desgaste para os próprios integrantes da CPI, para o Congresso, para o governo, para Jair Bolsonaro, para os governadores e prefeitos que eventualmente forem chamados para depor.

Casa do Eletricista – Torneira Zagonel

É claro que muitas coisas foram mal conduzidas, ou por falta de conhecimento ou por falta de interesse ou por má fé mesmo.

Difícil vai ser separar as coisas mal conduzidas por má-fé da falta de conhecimento ou interesse.

Punir quem agiu por má-fé é obrigação, senão a CPI vai virar piada.

Mas não tem como e nem deve acontecer a punição daqueles que agiram por falta de conhecimento, que tentaram acertar, mas erraram porque na época não se sabia o que se sabe hoje.

É nesse perigoso jogo de acusações e tentativa de defesa que os senadores precisam agir e, daqui a pouco, decidir.

Como CPI é um órgão de investigação com poderes de polícia, que pode sugerir indiciamento de políticos eventualmente acusados, é bom que todos levem isso a sério, apesar das tentativas do governo de transformar o cenário em algo promíscuo para evitar que as acusações e os acusados sofram consequências, sejam políticas ou penais.

Todos vão sair disso promovidos ou chamuscados.

É muito provável que essa CPI tenha grande e impactante influência nas eleições de 2022, tanto para presidente como para alguns governadores, os mais expostos.

Se o rumo das investigações provar que o governo do presidente Jair Bolsonaro e ele próprio foram negligentes durante a pandemia, seja para cuidar dos doentes, seja para aquisição das vacinas, o presidente pode se tornar um candidato inviável à reeleição.

Caso as investigações não consigam provar nenhum deslize do governo e do presidente, ele pode sair fortalecido.

Mas é certo que Lula, antes fora do páreo, está correndo por fora e terá menos ou nenhum desgaste durante a CPI.

Se Bolsonaro se complicar e Lula correr livre e solto, o processo eleitoral, depois da CPI, poderá apresentar um favorito.

Se hoje os dois embolam a disputa, uma disputa bem polarizada entre direita e esquerda, onde o centro não consegue emplacar nenhum dos candidatos, depois da CPI, alguns meses apenas, o quadro pode ser diferente.

Cada depoimento, cada revelação é um fato que pode mudar os rumos da política brasileira.

Mas a força da CPI não está no impacto e na gravidade das acusações, mas, sim, na insatisfação do povo.

Se a parte da população que está vendo seu dinheiro perder valor aumentar sua insatisfação por causa da alta dos preços, especialmente dos alimentos, a CPI vai ganhar força.

 

Arno Kunzler é jornalista e diretor do Jornal O Presente e da Editora Amigos

arno@opresente.com.br

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