Copagril
Editorial

Desinformação

Abrir as redes sociais em termos de ânimos exaltados no Brasil é um misto de sentimentos. O primeiro é bom, porque as desgraças da vida invariavelmente viram piadas e memes produzidos por mentes altamente criativas. É de chorar… de rir. Por outro lado, há tanta gente falando asneira, defendendo modelos que certamente desconhece, trocando mensagens, vídeos, fotos falsas que é desanimador. É de chorar… de tristeza.

Opiniões diversas são válidas e necessárias para o desenvolvimento da democracia e da nação. Sem elas não há crescimento. O que não dá para aguentar são opiniões vazias, cheias de fundamentos falsos, incoerências e inconsistências, distorções e falsas verdades. Para muitas delas, é até difícil entender como alguém acredita. E esse alguém são muitos.

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Atrelado ao desastroso mundo opinativo ofertado pelo Facebook, WhatsApp, Instagram e por aí vai, existe espaço também para as fake news, que nunca estiveram tão em pauta quanto agora. Essas, também, são de chorar. Tem gente que se diz polida que não passa um dia sequer sem ler, acreditar e repassar uma notícia falsa. E essa gente são muitos.

Agora tem o repassador de mentiras cauteloso, que avisa sua próxima vítima que o que ela está prestes a ver pode não condizer com a realidade. “Recebi, não sei se é verdade, mas tô repassando”. Se não sabe se é verdade, procure saber antes de repassar, oras. Isso é um assunto sério, delicado, que pode acabar com a vida de uma pessoa em segundos, que pode manipular a população mais desinformada. E essa população são muitos.

Na faculdade de Jornalismo muito se fala em responsabilidade antes de publicar. No dia a dia de um jornal, rádio, TV ou portal de internet também. A responsabilidade de uma publicação verdadeira, que possa beneficiar as pessoas, levar a verdade e interferir positivamente no mundo em que se vive. O problema é que há muito tempo os comunicadores não são os únicos que publicam. Hoje qualquer publicação está na palma da mão de cada um. E isso está revelando a verdadeira personalidade de cada um – isso é que assusta.

No centro dos debates, a intervenção militar é certamente o mais grosseiro tema dos últimos dias. Os vídeos e os textões sobre a intervenção iminente se multiplicam como bactérias em meio favorável. Tudo assinado e corroborado por sei lá quem e avalizado pelo fulano de tal. Tudo balela.

O fácil e popular acesso à informação é talvez um dos maiores ganhos que a humanidade teve nos últimos anos. Hoje é possível ter medicina de ponta dentro do celular, dividir experiências com consumidores sobre esse ou aquele produto, encontrar os livros mais indisponíveis, encontrar vários pontos de vista. Mas sem dúvida nenhuma o acesso à informação de péssima qualidade também é uma verdade, cada vez com mais pessoas a consumindo, cada vez ganhando mais adeptos. Em épocas de turbulência emocional e ânimos exaltados, percebe-se que esses adeptos são muitos. É muita desinformação.

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