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Editorial

Desprestigiados

Uma pesquisa divulgada recentemente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep)mostra que houve uma queda no interesse de alunos em frequentar o magistério e se tornarem futuros professores. Os números de Marechal Cândido Rondon apresentados pelo documento apresentam uma queda progressiva no número de matrículas para esta modalidade de ensino. Para as lideranças que trabalham com o Magistério no município, todavia, os números não refletem a realidade. De acordo com esses profissionais, o interesse pelo magistério tem se mantido constante nos últimos anos. Mas em um quesito tantos os argumentos do Inep quanto das autoridades municipais convergem: a profissão professor está desprestigiada.

Antigamente ser professor era sinal de prestígio. O trabalhador que transmite conhecimento para formar os futuros trabalhadores, em qualquer que seja a área de atuação, era visto pela família como um símbolo quase intocável. Quem tem mais de 35 anos certamente lembra de que enfrentar o professor tinha sérias consequências, no colégio e em casa. Era castigo duplo, repreendido pelas professoras e pelos pais. Nessa época, os alunos mais que respeitavam seus mestres, chegavam a idolatrá-los,imputando a eles rasgados elogios e intensas manifestações de respeito e admiração que há muito tempo não mais se vê.

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Hoje a sociedade observa o professor brigando por melhores salários, mas seu calvário vai muito além das folhas de pagamento. Aliás, tem professor ganhando um bom dinheiro com a profissão. No entanto, na ampla maioria dos casos, professores recebem pouco e estão à mercê da nova família, que virou de costas para a figura que escreve a giz. Hoje, em muitos casos, se o aluno arrumar uma confusão com o professor, ele tem grandes chances de ser uma vítima. Vítima de violência, física e psicológica, praticada não somente pelos alunos, mas também pela família desses estudantes, que hoje prefere acreditar no filho, colocar a culpa no professor e evitar maiores problemas – por pouco tempo – em casa.

Esbofetear professores, xingar e desobedecer, riscar seus carros, fazer ameaças de morte já não são mais novidade no sistema educacional brasileiro, mais incisivamente no sistema público. As notícias de violência e medo quase não incomodam mais as pessoas. Fatos até pouco tempo bizarros e impensáveis se tornaram comuns e naturais. O que antes era exceção agora é regra. Nem precisa ir até os grandes centros para encontrar casos de abuso. Eles estão aqui e agora, bem debaixo do nariz das autoridades públicas e da sociedade civil.

A valorização do professor e, especialmente, da educação é mais que uma frase bonita, é uma obra necessária para restaurar a imagem, a importância e o respeito a esses profissionais, dentro e fora da sala de aula. São os professores que podem fazer do Brasil um país melhor, no entanto, marginalizados, estão perdendo o tesão pela profissão e o respeito da sociedade. Estão desprestigiados. É o que se sabe hoje, mas é o que nenhum brasileiro deveria aprender.

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