Editorial

Dessa vez, bandidos vão ficar de fora

Nos anos de 1990, as caravanas de ônibus enfileirados na BR-277, carregados de muamba, drogas e armas, mostravam ao Brasil um grave problema da fronteira com o Paraguai. Os comboios se dividiam e partiam para abastecer mercados ilegais em todo o país. O contrabando, o descaminho e o tráfico de drogas vencia a segurança pública, que na época era ainda mais frágil do que é hoje.

Na tríplice fronteira e região Oeste do Paraná, os moradores ficaram acostumados a notícias de apreensões gigantescas feitas pela água, terra e até pelo ar. Mas enquanto uma tonelada era apreendida, outras dezenas passavam despercebidas pelas garras da Justiça. E ainda passam.

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Um dos motivos seria até cômico se não fosse trágico. Bandidos escutavam o que os policiais planejavam pelas ondas de rádio. A comunicação das forças de segurança, como Polícia Rodoviária Federal e Polícia Federal, é ainda facilmente grampeada pelos bandidos, que têm informações privilegiadas sobre operações e rotina das forças de segurança. Assim, agem quando mais lhes convém, longe da mira da polícia e da Receita Federal.

A comunicação das forças de segurança, todavia, vai mudar, e para melhor. Até o fim de julho deve estar concluída a implantação de um Sistema de Radiocomunicação Digital Troncalizado (SRDT) em inúmeras cidades do Estado do Paraná. A radiocomunicação digital, segura e criptografada, é uma reivindicação antiga das instituições de segurança. Todos passam a operar na mesma faixa, seja Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar ou Polícia Civil. Dessa vez, bandidos vão ficar de fora. Os sistemas serão instalados em Querência do Norte, Altônia, Terra Roxa, São José das Palmeiras, Matelândia e Foz do Iguaçu, proporcionando a comunicação e interoperabilidade entre diversos agentes de segurança pública e defesa em grande parte da faixa de fronteira.

É, sem dúvida, uma ferramenta que vai ampliar a capacidade de combate ao crime e aumentar a própria segurança dos agentes públicos. É tão simples e barato que é até difícil entender porque esse sistema de comunicação não foi instalado antes. E os resultados certamente vão começar a aparecer.

Agora, é hora de uma ampla colaboração das forças de segurança, que devem ser treinadas e aperfeiçoadas para operacionalizar a novidade. O Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria de Operações Integradas, que dá vida ao projeto, tem papel de protagonista para qualificar as polícias e forças armadas da fronteira.

Não adianta em nada ter bons policiais, equipes de inteligência, carros potentes e helicópteros, se a simples comunicação é vazada aos inimigos. O combate ao crime tem que ser altamente tecnológico. Agora, radiocomunicação digital, mas é preciso mais: drones, inteligência artificial e big data são algumas das ferramentas que já são necessárias e podem tirar a segurança pública da idade da pedra e elevá-la a um nível mais atual.

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