Copagril
Dom João Carlos Seneme

Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho único

Neste fim de semana, celebramos o 4º Domingo da Quaresma, que é tradicionalmente chamado do “Domingo da Alegria”, por causa da antífona de entrada: “Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria. Saciai-vos com a abundância de suas consolações (Is 66,10)”. Estamos na metade da Quaresma, por isso somos convidados a vislumbrar alegria que vem plenamente na Páscoa. Jesus é a luz para iluminar as trevas; luz que nos conduz a Deus: “Quem age conforme a verdade aproxima-se da luz, para que se manifeste que suas ações são realizadas em Deus”. Para experimentar esta alegria é preciso acolher Jesus como nosso Salvador.

No Evangelho, São João nos coloca em sintonia com o núcleo de sua mensagem: “Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho único, para que não morra todo o que n’Ele crer, mas tenha a vida eterna”. Aqui está contida toda a história da salvação e o projeto de amor que Deus estabelece com a humanidade. Entre Deus e homem, duas realidades tão distantes e divergentes, nestas palavras encontram o seu ponto de encontro, é o momento em que o humano e divino se dão as mãos.

O Evangelho narra o encontro de Jesus com um fariseu chamado Nicodemos, doutor da lei, rico e influente. Conhecido como o “discípulo da noite”, porque encontrava-se com Jesus sempre durante a noite, talvez porque não quisesse comprometer sua posição diante da sociedade judaica. A intenção do evangelista é revelar quem é Jesus e provocar o ouvinte a tomar uma decisão: seguir a luz ou deixar-se dominar pelas trevas!

Jesus explica a Nicodemos que o Messias deverá ser elevado ao alto como no deserto Moisés levantou a serpente. Jesus se refere ao fato narrado no livro dos Números quando Deus pede que Moisés construa uma serpente de bronze que deverá ser atada em uma haste, formando uma cruz. Todos os que olhavam para serpente eram curados. O fato recorda Jesus na cruz, passo necessário para chegar à exaltação, à vida definitiva. Agora quem salva e cura da morte é Jesus Cristo. O amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, é um fato existente desde sempre. A morte gloriosa de Jesus para a salvação do mundo é o gesto de amor de Deus por toda a humanidade. Através de Jesus nós podemos participar da vida divina.

Quando Jesus assume até as últimas consequências o Plano de Deus, ele manifesta o seu amor incondicional ao Pai e apontao caminho que devemospercorrer para alcançar a salvação, a vida plena. Acreditar no “Filho do Homem” levantado na cruz é garantia para a vida eterna. Crer em Jesus é aceitá-lo em nossas vidas, assumir sua proposta de vida e viver como Ele viveu: “amando a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. É dessa forma que se chega à “vida eterna”.

“Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que n’Ele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”. O grande amor de Deus pela humanidade o leva a enviar o seu Filho único ao mundo para revelar o seu amor e conduzir a humanidade à salvação. Essa proposta continua atual ainda hoje: Deus não desiste da humanidade; aguarda uma resposta. Cabe a cada um de nós escolher: aceitar o caminho que conduz à vida eterna ou excluir-se da salvação. Somos frágeis e provisórios e vivemos numa sociedade complexa: os bons se escondem e os maus colocam cada vez em evidência os seus atos. Pode parecer que não há saída, neste momento a esperança vacila e vivemos uma crise de fé. A bondade e misericórdia de Deus vêm em nosso socorro e nos dáa Eucaristia que nos garante que vale a pena colocar nossa esperança em Deus, dessa forma seremos fortes o suficiente para construir um mundo melhor.

 

* O autor é bispo da Diocese de Toledo

 

revistacristorei@diocesetoledo.org

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