Copagril
Dom João Carlos Seneme

Devemos servir somente a Deus e seu reino

Na liturgia da Palavra deste domingo (22) encontramos vários aspectos do papel da riqueza e do dinheiro em relação à nossa vida cristã, no seguimento de Cristo. A pregação de Jesus sobre o Reino de Deus está repleta de alusões à riqueza e ao uso correto dos bens materiais. Facilmente o ser humano se apega a coisas passageiras, em vez de orientar sua vida nos valores fundamentais que conduzem à vida verdadeira.

O profeta Amós e São Lucas enfatizam que o amor desmedido ao dinheiro conduz ao egoísmo e desfigura os seres humanos. Infelizmente é um tema muito presente em nosso dia a dia. A frase de Jesus deve ecoar em nossos ouvidos: “Não podemos servir a Deus e ao dinheiro”!

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No evangelho Jesus se dirige diretamente aos seus discípulos e a todos que o seguem. O texto se torna um discurso eclesial sobre o uso dos bens para instruir o cristão como ser ético e responsável em relação aos bens.

Jesus conta a parábola de um administrador com habilidade para transformar, através do dinheiro, uma situação negativa e desfavorável em uma condição positiva. O administrador se revela sábio ao avaliar seus limites (“para cavar, não tenho forças; de mendigar, tenho vergonha”) e dar uma solução aos seus problemas futuros. A atitude é desonesta, porém ele é esperto e capaz de fazer amigos que lhes serão úteis no futuro.

Obviamente, sob o aspecto moral, o comportamento é reprovável, mas não é o enfoque da parábola. Ela quer simplesmente chamar a atenção do leitor sobre a capacidade do administrador em reverter uma situação que lhe é desfavorável (“o senhor elogiou o administrador desonesto porque ele agiu com esperteza”).

A parábola não parabeniza quem é corrupto ou desonesto. Ela enaltece o empenho do administrador na busca de uma solução para seu problema usando sua inteligência e sagacidade. Ser astuto, esperto, não é mau. Ser astuto é ser criativo. Depende para que fim usamos nossa inteligência. O astuto busca soluções e saídas.

O seguidor de Jesus revela esperteza para as coisas do Reino; ele precisa estar desperto e ser ousado para ser presença visível dos valores do Evangelho hoje. Precisa ser corajoso para não se acomodar e dedicado para mudar as coisas.

Não podemos perder de vista nosso caminho na direção do Pai, nada deve nos impedir de chegar perto de Deus, foi por nós que Jesus morreu e ressuscitou. É no encontro da comunidade ao redor da Eucaristia que renovamos nossa fé e esperança e buscamos força e coragem para orientar nossa para Cristo, único Senhor, que pode nos conduzir à salvação, como nos pede o Evangelho.

 

O autor é bispo da Diocese de Toledo

revistacristorei@diocesetoledo.org

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