Pref. Pato Bragado Natal em Canto 2019
Arno Kunzler

Dia histórico

O Supremo Tribunal Federal (STF), a suprema corte do Poder Judiciário brasileiro, decidirá hoje (18) se as artimanhas criadas pelos políticos para se beneficiar valem para os mensaleiros ou não.
Embora qualquer cidadão – que tenha alguns milhões para gastar com renomados advogados – também tenha o mesmo direito, parece que só grandes criminosos é que conseguem se beneficiar de algumas “janelas” da nossa Constituição.
Não se espera outra decisão do Supremo, se não oferecer à sociedade brasileira uma resposta, uma decisão que mostra com clareza que o crime não compensa.
A outra possibilidade, de conceder aos já condenados os “embargos infringentes”, dando-lhes o direito a um novo julgamento, parece muito estranho.
Ou alguém fora da esfera do Judiciário já havia ouvido esse termo – embargos infringentes – em processos de gente menos importante?
Para os leigos parece uma piada, algo inventado de última hora para que um homem poderoso não tenha que ir para cadeia, conforme prevê a lei.
Mas não, não é de última hora.
Está lá, previsto.
Quem colocou isso na lei sabia pra quem servia… e quando deveria ser usado.
E quem fez a lei?
Ora, essas surpresas vêm sempre do mesmo lugar: o Congresso Nacional.
É lá onde os homens que fazem as leis atuam, sejam raposas do Congresso, sejam juristas.
E eles atuam corporativamente, solidariamente, silenciosamente, sorrateiramente, inescrupulosamente, desonestamente e maldosamente.
Os congressistas fazem as leis para atender a interesses minoritários.
Nesse caso, os que podem desembolsar milhões para se defender.
E aí alimentam uma estrutura que assusta…
Esperamos sempre da justiça, JUSTIÇA.
Retardar a justiça já é promover a injustiça… nesse caso, pode ser pior, retardar e absolver.
Mas estamos vivendo tempos em que o Poder Judiciário começa ser colocado em xeque.
Ou responde aos apelos da sociedade, ou terá o mesmo destino que foi dado aos políticos… o fundo do poço da moral, da ética e do respeito à opinião pública.
Se os mensaleiros não forem condenados, ou melhor, se o STF não confirmar as condenações que ele mesmo já atribuiu aos mensaleiros, o país vai viver uma grande decepção, talvez uma crise institucional.
Hoje é um dia histórico para o STF e para o Brasil.
Não haverá outras oportunidades tão claras para mostrar aos políticos de hoje e de amanhã, que a corrupção será punida.
O STF perigosamente acena com a possibilidade de aceitar os embargos infringentes, ainda que estejam previstos, eles mais parecem uma afronta ao povo brasileiro.
Neste momento, fazer um novo julgamento e com grande chance de diminuir as penas dos mensaleiros a ponto de não haver prisão nenhuma é um atentado àqueles que praticam e vivem honestamente neste país.
É quase como dar um atestado de boa conduta à bandidagem.
Aí sim é de ficar com pena dos que povoam nosso sistema carcerário, quase todos com pouco estudo, de famílias humildes e cujos crimes quase sempre nem se assemelham, nem pela gravidade e nem pela forma.
Os direitos parecem mais brandos para os grandes criminosos, que hoje podem receber uma espécie de “absolvição” por tabela.

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