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Dia Internacional da Mulher – um legado de luta

Dia Internacional da Mulher – um legado de luta

 

Retomamos nossa coluna neste desafiador ano de 2021 celebrando o Dia Internacional das Mulheres. Buscaremos trazer num breve texto uma reflexão acerca deste dia, que ao longo dos anos foi esvaziado de seu real sentido, mas que guarda a história de luta de muitas mulheres que vieram antes de nós.

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Há inúmeras controvérsias e confusões históricas a respeito da origem dessa data. Comumente este dia se vincula ao trágico acontecimento numa fábrica têxtil no Estados Unidos, em que 129 operárias morreram carbonizadas vítimas de um incêndio intencional ocorrido no dia 8 de março de 1857. De acordo com a narrativa veiculada no senso comum, o motivo do incêndio teria ocorrido como uma forma de retaliação a uma série de greves organizado pelas trabalhadoras.

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Contudo, não existem evidências concretas sobre esse acontecimento. O primeiro registro remete a 1910 durante a II Conferência Internacional das Mulheres em Copenhague, na Dinamarca, em que a feminista alemã Clara Zetkin propôs que as trabalhadoras de todos os países organizassem um dia especial das mulheres com o objetivo de promover reivindicações por melhores condições de trabalho, jornadas menores de trabalho, proteção na maternidade e direitos políticos como o direito ao voto para as mulheres.

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Em 25 de março de 1911, no ano seguinte à conferência, ocorreu um incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist em Nova York que matou centenas de trabalhadores, principalmente mulheres e crianças que em sua maioria eram imigrantes judias e italianas. A tragédia fez com que a luta das mulheres operárias se aprofundasse em defesa de condições de trabalho mais dignas. Os movimentos de mulheres na luta por melhores condições de vida passam a crescer no mundo todo, encontrando desafios distintos diante de cada contexto histórico.

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No Brasil, sequer completamos 100 anos de direito ao voto das mulheres, que ocorreu em 1932. Só a partir da Constituição de 1988 é que homens e mulheres passaram a ser iguais em direitos e obrigações. A violência doméstica passou a ter maior atenção do Estado apenas em 2006. Isso não quer dizer que a luta das mulheres foi menor e menos eficaz em nosso país, pelo contrário, muitas mulheres ocuparam suas vidas na defesa por direitos sociais e políticos, que culminaram no direito ao voto, em melhores condições de trabalho, maior autonomia pessoal e financeira, combate a violência doméstica, entre tantas outras conquistas que de forma contínua,  fornecem novos caminhos e soluções para os problemas enfrentados pelas mulheres no país.

Entretanto, ser mulher em nossa sociedade ainda é de fato desafiador. Para se ter ideia, no ano de 2019, foram 266.310 mil registros de lesão em decorrência de violência doméstica, um registro a cada 2 minutos. Os números de Feminicídio chegaram a 1.326 mil. Na maioria dos registros os agressores são companheiros ou ex-companheiros, e até familiares próximos.  O que nos indica que a violência contra as mulheres está muito presente no centro familiar, o lar. E por isso, é preciso romper com os paradigmas para discutirmos dentro de casa sobre a violência doméstica que atinge grande número das mulheres brasileiras. Sob essa ótica, torna-se necessária a participação dos homens na busca de uma compreensão sobre o assunto, muitos dos quais reproduzem atos agressivos sem compreender as consequências dessas ações para os demais membros de sua família, envolvendo as mulheres, suas filhas e seus filhos em um ciclo de violência negativo e prejudicial para o livre desenvolvimento da pessoa humana.

Diante deste cenário, temos uma grande caminhada pela frente. Resgatar a história do dia 8 de março é importante para não esquecer que as lutas pelos direitos das mulheres são conquistados com muito esforço, e ainda não estão perto do fim. A luta pela vida das mulheres, a luta por uma vida sem violência, por mais respeito e liberdade deve ser constante e de toda a sociedade, unindo forças principalmente para combater a violência doméstica,  tornando o lar realmente seguro para que as mulheres possam usufruir de seus direitos. O 8 de março é o Dia Internacional da Mulher, uma data para se celebrar a árdua luta diária das mulheres por uma sociedade mais justa e igualitária. Viva às mulheres!

 

Referências: BLAY. Eva Alterman. 8 de março: conquistas e controvérsias. Revistas Estudos Feministas, Florianópolis – SC, n.9, p.601-607, 2001.

 

Autores:

Adriana do Val Alves Taveira – orientadora jurídica

 

Airlon Lucas Heck – bolsista Egresso Área Pedagógica

 

Alana Thais Quadros de Campo – bolsista graduanda em História

 

QUEM SOMOS

O Numape é um projeto de extensão da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Marechal Cândido Rondon. Faz parte da Superintendência Geral da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), do Governo do Estado do Paraná.

O Numape promove o acolhimento jurídico de forma gratuita e sigilosa, assegurando a tutela de seus direitos e a desvinculação do agressor para mulheres em situação de violência doméstica dos municípios de Marechal Cândido Rondon, Quatro Pontes, Pato Bragado, Entre Rios do Oeste, Nova Santa Rosa e Mercedes.

Em pouco mais de dois anos de atuação, o Numape realizou mais de 250 atendimentos jurídicos. Nosso atendimento é realizado com uma escuta atenciosa e qualificada e todas as orientações cabíveis para cada caso são repassadas, sempre preservando a autonomia de decisão da mulher para dar seguimento nas fases processuais, que se desdobram geralmente em medidas protetivas de urgência, divórcio, dissolução de união estável, pensão e guarda dos/as filhos/as, entre outras ações. Além disso, promovemos mais de 50 ações socioeducativas na comunidade em geral, alcançando inúmeras pessoas de diferentes faixas etárias e grupos sociais.

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