Arno Kunzler

Distribuição de dinheiro

Apesar das críticas ao Congresso Nacional, que aprovou um projeto prevendo uma farta distribuição de recursos destinados ao enfrentamento da Covid-19, o que salta aos olhos, na verdade, é o acerto desse projeto.

Senão vejamos: ao longo da história, sempre reparamos que os recursos concentrados demasiadamente em Brasília geravam custos elevados, desvios de finalidade, quando não corrupção em grande escala.

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A ideia dos recursos ficarem à mercê dos deputados para distribuição conforme seus currais eleitorais sempre foi amplamente criticada por nós, pelos próprios prefeitos e principalmente pelas entidades de classe.

As melhores sugestões sempre foram as de que o dinheiro arrecadado deveria ir direto para os municípios, sem interferência política, de acordo com os critérios estabelecidos previamente.

Que nos municípios a população estaria mais atenta e mais próxima da aplicação desses dinheiros, ficando mais difícil que grandes volumes fossem desviados, seja em obras ou serviços.

Apesar dos que não acreditam nisso e têm suas razões para tal.

Pois bem, o Congresso Nacional fez a sua parte e criou um sistema de distribuição, que pode até ser criticado e contestado, mas é um critério que vale para todos.

Assim, esse imenso volume de recursos que o governo federal vai injetar na economia para suportar a crise do coronavírus está muito bem distribuído, sem necessidade de ajuda dos deputados, apesar de algumas artimanhas que certos parlamentares conseguiram aprovar.

Parece que essa é a fórmula a partir da qual todos os recursos deveriam ser geridos: distribuição automática de acordo com o critério previamente estabelecido.

Assim, os municípios e os Estados receberiam recursos sem essa nefasta e inaceitável interferência deste ou daquele político.

Os deputados e senadores passariam mais tempo legislando e menos tempo nessa luta inglória de “trazer recursos” para seus municípios.

Poderiam participar da política no atacado, ajudando o governo federal a aplicar bem os recursos que cabem a ele e que são muitos, deixando Estados e municípios cuidando dos seus.

Pena que esse projeto é só para a distribuição dos recursos emergenciais; isso já deveria ser assim, por lei.

E isso não é ser contra ou a favor do Bolsonaro, é ser a favor da distribuição justa e sem interferência política dos recursos arrecadados pelo governo.

Poderíamos decretar o fim das emendas parlamentares e do vai e vem com “pires na mão” dos prefeitos em Brasília.

O dinheiro que, via de regra, é desperdiçado, em grande escala, por governos que concentram demais, falta nas cidades para atender demandas especialmente na área da saúde e educação.

Aí os prefeitos ficam nessa pendura. Ou têm um deputado atuante e que defende o governante de plantão, ou não recebem recursos federais.

Além disso, quando o recurso vem, está carimbado. Muitas vezes o município acaba investindo sem necessidade em obras que o deputado escolheu, sabe-se lá a troco de que, quando outras demandas, naquele momento e naquele município, são absolutamente prioritárias.

Essa é a velha política, que, na minha opinião, precisa acabar.

 

Arno Kunzler é jornalista e diretor do Jornal O Presente e da Editora Amigos da Natureza

arno@opresente.com.br

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