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Elio Migliorança

Ditadura partidária

Estamos em tempos de costuras para as eleições municipais. Mas os assuntos nacionais atraem mais a atenção do que os temas domésticos, o que é natural, já que as decisões nacionais impactam diretamente a vida dos brasileiros em todos os setores, do financeiro ao educacional, da segurança ao bem-estar social.

Mesmo com decisões contraditórias como a recente decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em libertar alguém que desviou R$ 100 milhões, provocando uma reação indignada da sociedade que paga estas contas todas, não podemos descuidar do nosso quintal e darmos atenção às composições políticas locais.

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Dependendo dos acertos e das coligações é que se pode avaliar se a futura administração será benéfica para a população ou apenas para as cúpulas partidárias e seus financiadores. Foi desta observação recente que surgiu a ideia da abordagem a este tema.

Acompanhando as movimentações partidárias regionais, descobri que alguns partidos ora estão acertados com um grupo, porque dizem que é a melhor proposta de administração, para depois de algumas semanas já estar coligado com outro grupo. Além deste passeio em busca da “melhor namorada”, alguns partidos mudaram de comando várias vezes em curto espaço de tempo. É aí que mora o perigo.

A maioria dos partidos está refém do comando estadual ou nacional. Os diretórios estaduais e nacionais estão exercendo uma ditadura partidária com mão de ferro, embora tenham um bonito discurso defendendo a democracia, praticam um opressivo comando autoritário.

Para que o leitor afastado das lides partidárias possa entender, saiba que os partidos estão organizados em diretórios nacionais, estaduais e municipais. Cada um tem autonomia dentro da sua área de atuação como o próprio nome indica, sendo que o diretório municipal administra o partido na área do município.

O partido, quando organizado e legalizado perante a Justiça Eleitoral, tem autonomia nas decisões partidárias no município, decisões que muitas vezes desagradam aos dirigentes estaduais. Como o diretório local tem autonomia, a forma encontrada pelos dirigentes estaduais para usar os partidos em suas barganhas políticas foi dissolver os diretórios e nomear comissões provisórias, que podem ser nomeadas e destituídas ao bel prazer dos dirigentes estaduais.

Assim foi castrada a opinião dos líderes locais, que se tornaram marionetes nas mãos dos dirigentes estaduais, que por sua vez estão nas mãos dos “senhores feudais” de Brasília e assim os dirigentes partidários locais são massa de manobra nas mãos dos feudos partidários nacionais.

É por estas e muitas outras razões que muitas pessoas de bem acabam se afastando da política, o que é uma pena, pois quando os bons se afastam os malandros assumem e no final todos pagamos a conta.

Temos necessidade de tantas reformas neste país, mas como elas dependem do Legislativo que tem sido a maior fonte de maus exemplos das últimas décadas, dificilmente esta geração verá estas reformas acontecerem.

Nossa esperança reside na nova geração de juízes, promotores públicos, procuradores da República e policiais federais, jovens idealistas que podem fazer a diferença e mostrar que há uma luz no fim do túnel.

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