Editorial

Do campo brotam dias melhores

 

O presidente Jair Bolsonaro participou na segunda-feira (29) da abertura do Agrishow, em Ribeirão Preto, São Paulo, evento que tem foco na conectividade e nas novas experiências do agronegócio e espera faturar nada menos que R$ 2,9 bilhões em negócios. Dar atenção e apoio ao agronegócio é a maneira mais sensata que o governo federal tem neste momento para alavancar a economia brasileira e sustentar desempenhos econômicos melhores.

Sem o agro forte será impossível crescer 4% ao ano, número mágico para muitos economistas e analistas, que entendem como a única unidade capaz de fazer o Brasil retomar seu protagonismo econômico. Hoje as projeções animadoras não saem da casa do 1%.

Nos últimos três anos, o agronegócio passou por inúmeras dificuldades. Apesar das recorrentes supersafras, o setor de carnes e leite tem enfrentado uma série de dificuldades, especialmente pela baixa (ou negativa) lucratividade por conta dos custos de produção, elevados especialmente pela alta no preço dos grãos, principal insumo das rações, e pelas desastrosas operações que envolveram grandes marcas e a polícia.

No entanto, uma luz parece brilhar no fim do túnel. O novo cenário internacional de carne suína, especialmente por conta da Peste Suína Africana que dizimou 20% da população suína daquele país, está redistribuindo o comércio dessa proteína no mundo, abrindo importantes oportunidades como há anos não se observava para o mercado brasileiro. É hora de crescer.

Esse cenário, ao qual o Brasil precisa protagonizar, vai melhorar também o consumo de outras proteínas, como a bovina e a de frango. Para o produtor rural, para a agroindústria, é hora de faturar mais, com a expectativa de preços mais sustentáveis para os próximos meses – ou até anos. Exportando mais, há o escoamento de algumas proteínas que o mercado interno tem sobrando, e os preços se reequilibram. Para o consumidor vai ficar mais caro.

Aliado a isso, a expectativa de uma excelente safra de grãos promete manter os preços em bons patamares, não sobrecarregando a indústria suinícola com a alta dos custos de produção. Têm ainda as missões internacionais que devem desembarcar por aqui para habilitar novas plantas frigoríficas para exportações. Muitas são as boas notícias que a suinocultura, a avicultura e os demais elos do agro recebem nos primeiros meses do ano.

A piscicultura, com destaque para a produção da tilápia, é outro segmento que cresce de vento em popa. Para não dizer que tudo está correndo tão bem assim, parece que faz falta uma ampla campanha publicitária para promover o consumo dessa iguaria cada vez mais apreciada, mas a passos lentos. Algumas ações já surgem, no entanto ainda é preciso apresentar de fato e tornar o peixe mais acessível às pessoas. Mesmo assim, a cadeia cresce dois dígitos ao ano.

São as boas marés que surgem após a tempestade. É preciso estar preparado para surfar nessa onda que tem estilo de reequilíbrio e prosperidade para o agronegócio brasileiro. Que o governo federal tenha plena ciência do que precisa para ajudar o setor, a começar com a tabela do frete.

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