Arno Kunzler

Duelo de Gigantes

Embora sejam favoritos, neste momento, para disputar o Governo do Paraná em 2018, os senadores Alvaro Dias e Roberto Requião dificilmente farão um “duelo de gigantes” nas próximas eleições.

Primeiro porque é muito cedo para apontar favoritismos, ainda mais com a política nacional em ebulição, onde tudo pode acontecer.

Segundo, porque Alvaro Dias pensa em voos mais altos, ainda que tenha escolhido o minúsculo PV, com forte rejeição no agronegócio, para viabilizar uma candidatura, provavelmente de vice-presidente da República.

Requião não é de hoje que tenta algo maior, mas seu partido, o PMDB, está sempre atrelado a outras legendas que têm a preferência por candidatos. E com sinceridade, quando não tiver atrelado, Requião dificilmente será o nome escolhido pelo PMDB.

Assim, a disputa mais provável para o Governo do Paraná em 2018 será entre o deputado estadual licenciado e secretário de Estado, Ratinho Junior (PSC), e o exprefeito de Maringá e atual deputado federal Ricardo Barros (PP). Estes sim têm fôlego e têm os olhos voltados exclusivamente para o Paraná.

Se um deles for escolhido pelo grupo do governador Beto Richa para ser candidato, o outro provavelmente liderará uma chapa oposicionista.

Neste momento, tanto Ratinho como Barros estão no governo. Um como secretário e outro tem a esposa Cida Borghetti como vice-governadora e o irmão, Silvio Barros, como secretário de Planejamento.

Beto Richa obviamente será candidato a senador, desde que consiga uma boa recuperação de imagem e formatar uma coligação que lhe garanta bons apoios. E isso ele sabe fazer como ninguém.

Em caso de não conseguir viabilizar uma candidatura a vice-presidente da República, Alvaro Dias não terá que se submeter a eleição de senador, já que tem mandato para mais sete anos, quatro depois da próxima eleição.

O mesmo não acontece com Requião, e aí tudo pode se esperar. Requião termina seu mandato de senador em 2018 e terá então a chance de disputar novamente contra Beto Richa uma vaga de senador, ou enfrentar os “jovens” que estarão na disputa pelo governo.

Embora Requião tenha sempre um eleitorado fiel, sua candidatura majoritária encontra teto. Foi assim quando se elegeu governador, sempre com vitórias polêmicas, ora criando um “Teixeirinha matador” que destruiu a campanha de José Carlos Martinez, naquele momento favorito para vencer a eleição, ora criando a célebre frase sobre o pedágio “abaixa ou acaba” – e todos sabemos o que aconteceu.

Na última eleição para senador, Requião perdeu com larga desvantagem para Gleisi Hoffmann e, quase, mas muito quase, perdeu a segunda vaga para Gustavo Fruet.

Na próxima, só haverá uma vaga para senador, e com Beto Richa no páreo, vai ser uma disputa bem mais complicada do que a anterior.

Aliás, convenhamos, o Paraná precisa reformular seus quadros políticos. Requião e Alvaro estão disputando alternadamente mandatos desde o início dos anos 80. É muito tempo!!!

 

* O autor é jornalista e diretor do Jornal O Presente

arno@opresente.com.br

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