Arno Kunzler

E A OKTOBER?

Longe das boas e saudosas festas de Oktober promovidas especialmente no fim dos anos 80 e 90, quando o Parque de Exposições ainda não tinha uma estrutura, que nem de longe se compara com a de hoje.

Longe daquilo que os rondonenses preconizam como uma festa interessante para promover a cultura germânica e especialmente a gastronomia do município.

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Longe de representar um atrativo para as famílias se divertirem.

Longe de ser um evento atraente sob o ponto de vista financeiro, seja para o comércio local, seja para as entidades que participam da sua organização.

Não fui à festa, mas conversei com muitas pessoas que foram. Não ouvi um elogio sequer, a não ser que havia bastante vagas para estacionar os carros bem perto do pavilhão central.

Pela quantidade e diversidade das críticas que ouvi a respeito da festa, não temos motivos para comemorar, pelo contrário, temos muitos motivos para refletir e se preocupar.

Talvez o primeiro erro a reconhecer seja que o evento voltou a ser promovido pelo município, com a mão de obra paga com dinheiro público e com todos os gastos e riscos por conta do Poder Público – gastos que na mão do Poder Público invariavelmente aumentam. E isso não é crítica a este governo, é assim no Brasil inteiro.

O segundo erro é que não se prioriza definitivamente o público. A festa é cara demais e tem atrativos de menos, segundo a opinião da grande maioria que esteve por lá.

Nem mesmo os blocos que recebem incentivos conseguiram mobilizar o número de pessoas desejado.

Chegamos novamente ao final da década de 90, quando, liderados pela Associação Comercial (Acimacar), entidades representativas do município pediam mudanças no evento. A resposta do então prefeito Ariston Limberger, diante de uma lista de sugestões de mudanças, foi cancelar a festa e, a partir daí, nunca mais o evento teve a envergadura e o público de antes.

No tempo da JCI os eventos não eram muito grandes, mas pelo menos os riscos e os investimentos não eram somente do Poder Público.

A gestão privada é infinitamente mais responsável do que qualquer que seja o governo, tanto pela legislação e pela burocracia que encarecem e atrapalham a organização pública, como pela ausência do envolvimento de pessoas e pelo comprometimento com a sua organização.

Se esse é o caminho, reconhecer o erro e retroceder, não sei, mas se continuarmos como estamos, vamos gastar muito dinheiro do município num evento de péssima qualidade e que cada ano gera mais críticas e menos aceitação dos rondonenses.

Fica a lição para os gestores públicos, seja deste ou dos futuros governos: não é preciso e nem inteligente mudar aquilo que os governantes anteriores fizeram, principalmente se está dando certo.

O governo hoje paga um preço muito caro, tanto político como financeiro, para realizar a Oktoberfest. Mesmo assim não conseguiu aquilo que se propôs, resgatar a cultura e a gastronomia germânica como atrativo principal do evento.

A festa continua sendo movida a chope e bailão, apesar, reconheçamos, do esforço realizado no sentido contrário. E o pior, não há nenhuma perspectiva de que no formato atual se possa reverter isso nos próximos anos.

 

* O autor é jornalista e diretor do Jornal O Presente

arno@opresente.com.br

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